O que é a Síndrome de Gilbert em crianças

A icterícia em crianças por um transtorno na bilirrubina

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Já dizia Juan Luiz Guerra naquela canção tão conhecida na Espanha: ‘A bilirrubina sobe quando eu te olho e você não me olha’ (‘Me sube la bilirrubina/cuando te miro y no me miras’). De icterícia e de estresse essa síndrome ocupa este artigo. 

Os médicos chamam icterícia à coloração amarelada da pele e mucosas. Existem diversas doenças que a podem produzir. A Síndrome de Gilbert é das mais inocentes. 

O que é a Síndrome de Gilbert nas crianças e por que aparece

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A síndrome de Gilbert é uma doença hereditária causada por um gene anormal. Como esse gene é ineficaz, a quantidade em excesso da bilirrubina se acumula no sangue. É transmitido de pessoa para pessoa, mas não é uma doença infecciosa

A causa que a motiva é um transtorno na conjugação da bilirrubina. Existe um componente genético para o distúrbio. Como fatores de risco reconhecemos três: o jejum, as infecções intercorrentes e o estresse (além de uma atividade muito intensa, menstruação ou desidratação). Dito de outro modo, as crianças predispostas, diante de algum dos fatores de risco que mencionamos terão um aumento da bilirrubina.

Apesar da aparência com icterícia, o funcionamento do fígado é normal e a Síndrome não causa cirrose, câncer no fígado ou esteatose (gordura no fígado)

Como a Síndrome de Gilbert afeta as crianças e como é diagnosticada

Isso tem significado clínico? Não. De fato, se avaliarmos como o fígado dessas crianças está funcionando a gente vai constatar que ele o faz de maneira estupenda. Tão pouco produz uma elevação das transaminases. A avaliação física, mesmo assim será normal (o fígado não está com o tamanho aumentado). 

Para diagnosticá-lo não é necessário mais do que uma simples análise de sangue. No mesmo, todos os parâmetros serão normais, a não ser a bilirrubina total e a bilirrubina indireta, que estarão ligeiramente aumentadas. 

Este quadro não precisa de nenhum tratamento. Convém observar se os episódios de icterícia tendem a se repetir, se voltam a apresentar os fatores de risco descritos. 

Iván Carabaño Aguado

Chefe do Serviço de Pediatria

Hospital Universitário Rey Juan Carlos

Hospital General de Villalba