A hepatite em crianças

Causas e tratamento para os diferentes tipos de hepatite em crianças

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

A hepatite em crianças é uma inflamação do fígado. É causada por vírus, mas também por outros fatores como bactérias, remédios e agentes tóxicos. De todas as hepatites virais, a mais frequente é a hepatite A, ainda que também existam vírus do tipo B, C, D, E e G. Suas manifestações clínicas iniciais podem ser muito similares, mas a evolução varia dependendo do vírus que causa a doença.

Prevenir a hepatite nas crianças

Crianças com hepatite

Para evitar que as crianças contraiam uma hepatite de origem viral é necessário manter alguns hábitos de higiene e evitar condições de superlotação e ambientes onde as condições sanitárias são deficientes e a água suspeita, sobretudo ao beber ou nadar, evitar comer mariscos ou peixes procedentes de águas contaminadas com águas residuais, lavar as mãos após ir ao banheiro, antes das refeições e após chegar da rua ou de um supermercado.

Se um membro da sua família contrai hepatite, utilizar desinfetantes para limpar a latrina, lavabos, penicos e evitar contato com a pessoa ou objetos pessoais dela. 

A hepatite A nas crianças 

Nas crianças, a forma de hepatite mais frequente é a hepatite A (também denominada hepatite infecciosa). Esse tipo de hepatite é causado pelo vírus da hepatite A, que se encontra nas fezes das pessoas infectadas. As fezes infectadas podem estar presentes em pequenas quantidades em alimentos e objetos (desde a maçaneta de uma porta até nas fraldas de um bebê). 

Sintomas. A hepatite A em crianças se manifesta inicialmente com náuseas, vômitos e mal estar geral e febre. Também pode aparecer dor abdominal, coloração escura na urina, fezes esbranquiçadas, icterícia (cor amarelada) tanto em conjuntivas como na mucosa oral. 

Contágio. A hepatite A se contagia via fecal-oral, ou seja, por meio de alimentos e água contaminada, sobretudo o marisco. 

Diagnóstico. Alguns exames de laboratório como testes de função hepática (bilirrubinas e transaminases), tempos de coagulação e glicose podem detectá-la. 

Tratamento. Não existe um tratamento específico, mas deve ser evitado todo tipo de medicamentos, especialmente analgésicos e para controlar a febre. Gorduras devem ser evitadas para diminuir os sintomas gastrointestinais. 

Prevenção. A forma mais fácil de prevenir a hepatite A, em crianças, é através da vacinação infantil. A vacina da hepatite A é recomendada aos 2 anos de idade. Também existe uma vacina combinada de hepatite A e B que pode ser administrada sem maiores complicações na idade adulta. 

Para evitar o contágio no caso da hepatite A, o cuidado com a higiene pessoal ao lavar as mãos e ao preparar os alimentos é essencial. Deve-se evitar o contato com qualquer objeto potencialmente contaminado com material fecal. O prognóstico é em geral muito bom: 95% dos pacientes com hepatite A se recuperam sem nenhuma sequela. 

A hepatite B em crianças e bebês

A hepatite B (também denominada hepatite sérica) é causada pelo vírus da hepatite B (VHB). 

Sintomas. O VHB pode provocar um leque de sintomas, desde mal estar generalizado até doença hepática crônica, que se não cuidada pode se tornar em um câncer de fígado. 

Contágio. Através de fluidos corporais infectados como o sangue, a saliva, o sêmen, as secreções vaginais, as lágrimas e a urina. Também pode ser transmitida mediante transfusões de sangue contaminado e no compartilhamento de agulhas ou seringas contaminadas, ao manter relações sexuais com uma pessoa infectada pelo VHB ou mediante o contágio de um recém-nascido pela sua mãe contaminada. 

O vírus da hepatite B pode ser transmitido aos bebês por algum membro da família. O mais comum é que se produza em forma de infecção subclínica, quando um membro da família ou outro adulto portador do vírus tem contato frequente com a criança. A infecção pode ser contraída de forma pouco óbvia (por exemplo, se o adulto tem um pequeno corte na mão e a criança tem a pele rachada por um eczema). 

Prevenção. A vacina da hepatite B faz parte do calendário de vacinação nacional e é obrigatória. A Academia Americana de Pediatria recomenda aplicar a vacina da hepatite B na criança recém-nascida, após um mês e aos seis meses de vida. 

O prognóstico da hepatite B é bom e as complicações como hepatite crônica, fulminante ou cirrose se encontram em aproximadamente 10 por cento dos pacientes. 

A hepatite C em crianças 

Os casos de hepatite C são mais raros e menos numerosos em crianças.

Sintomas. Os sintomas provocados pelo vírus da hepatite C podem ser muito parecidos aos provocados pelos vírus das hepatites A e B. No entanto, a infecção da hepatite C pode levar ao longo do tempo a uma doença hepática crônica, e é o principal motivo de transplante de fígado. 

Contágio. A hepatite C se transmite através do contato direto com o sangue de uma pessoa infectada. O contágio acontece ao compartilhar agulhas e seringas contaminadas, ao fazer tatuagens ou piercings com instrumental não esterilizado, mediante transfusões de sangue, mediante o contágio de um recém-nascido pela sua mãe contaminada e através de relações sexuais (ainda que seja uma via de contágio menos habitual). 

A hepatite C é também um risco habitual nos centros de hemodiálise. Raramente as pessoas que convivem com um doente de hepatite C podem se contaminar com artigos que possam conter sangue do doente, como navalhas de barbear ou escova de dente. 

Diagnóstico. Todas essas formas virais da hepatite podem ser diagnosticadas e iniciar acompanhamento do tratamento mediante análises de sangue confiáveis e facilmente acessíveis.