As crianças não inventam doenças

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Uma mãe nos conta que o seu filho de 6 anos está usando pretextos para não ir a escola. Chora, e diz que o estômago lhe dói, uma vez ou outra. Ela o levou ao médico e depois de vários exames, nada foi diagnosticado. Descartaram qualquer doença física. A criança pode ser que não apresente nenhuma doença, mas ela o sente. E quando as crianças se queixam ou expressam algum incômodo é por alguma coisa, pois não mentem nem inventam dores. 

O abuso escolar que as crianças sofrem

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A mãe nos disse que falou com o seu filho em várias ocasiões sobre o que ele estava sentindo, e depois de muito insistir ela descobriu que existia um menino que cometia bullying contra ele na sala de aula. Ela lhe disse que iria falar com a professora e a criança pediu que ela não o fizesse, já que ele resolveria o assunto. E eu me pergunto: Até que ponto uma criança de 6 anos pode solucionar um problema com algum companheiro que o está molestando? Será que aos 6 anos uma criança está preparada para enfrentar um problema tão complicado como o bullying?  

Casos como esses se repetem uma vez ou outra nas escolas. Os assédios nas escolas, as intimidações, humilhações, ou insultos parecem não ter freios e continuam causando dores em muitas crianças. Por que ainda continua existindo esse tipo de problema nas escolas

‘Um passarinho triste não canta’, disse uma vez a soprano espanhola Ainhoa Arteta, quando depois de ter se divorciado do seu marido ficou quase um ano sem poder cantar. Quando temos algum problema e esse problema nos faz sentir dor a gente tem muita dificuldade em cumprir nossas obrigações. Isso acontece com todos, inclusive com as crianças. Crianças que vivem situações de estresse, seja pela mudança de casa ou de escola, pelo divórcio dos pais, pela perda de um ser querido, ou por bullying, podem apresentar alguns sintomas e até mesmo adoecerem.     

As crianças, especialmente as pequeninas, não sabem o que sentem, não raciocinam nem sabem solucionar os seus problemas e acabam expressando-os com alguma dor de cabeça ou outra doença. Os pais devem ficar atentos com o que o corpo da criança está dizendo. As crianças não inventam doenças. Por não querer preocupar seus pais, e por não conseguirem identificar o que sentem como fobia ou medo, ou ansiedade, elas adoecem. 

Eu penso que, nesses casos, o melhor é intervir, ir à escola, e pedir ajuda e colaboração, e não esperar, para evitar que essa bola de neve cresça ainda mais, e para que ‘o pássaro volte a cantar’ o quanto antes. É muito importante que os pais conquistem a confiança dos seus filhos depositando neles o seu respeito e apoio, sempre e em qualquer ocasião. 

Vilma Medina

Diretora de GuiaInfantil.com