Pais e escolas: condenados pela violência escolar

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Sempre pensei que a violência escolar ocorre porque tanto os pais como as escolas permitem. Creio que valores como respeito aos demais devem ser inculcados às crianças desde quando são bem pequeninos, tanto no seio familiar como na escola. Hoje em dia não basta ensinar ou educar aos nossos filhos nesse sentido, mas temos que estar atentos e vigiar e comprovar que eles exercem nosso ensino e o coloca em prática. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), um em cada quatro crianças são vítimas da violência escolar ou bullying. 

Como evitar e detectar a violência escolar

Muitas vezes creio que a gente se engana em apenas orientar aos nossos filhos. Cremos que somente dizer o que é bom ou ruim já é mais que suficiente. Educar é mais do que isso. É estar com os filhos, observar seu comportamento, conhecer sua forma de ser. Um exemplo disso é quando uma criança bate em outra e os pais dizem: ‘é porque são crianças’. Isso não poderia ser permitido. São crianças, mas seis pais têm o dever de guiá-los pelo bom caminho. Na minha casa, quando meus irmãos e eu brigávamos, minha mãe sempre nos repreendia e nos obrigava a pedir perdão um ao outro, e jamais íamos para a cama sem estar em paz um com o outro. Atitudes como essa podem afastar as crianças da agressividade, da violência, tanto em casa como na escola, na sala de aula ou no pátio. Parece difícil, mas não é impossível. 

Entende-se por violência, intimidação ou bullying, o assédio de uma pessoa que chateia, insulta, tira sarro, castiga ou atormenta a outra pessoa. A violência ou bullying pode ser física, com socos, murros, roubos, etc. Pode ser verbal e com insultos, gritos e provocações, com humilhações e ameaças psicológicas. Socialmente, ignorando o outro, marginalizando a criança. Se os pais ou os professores observam esse tipo de comportamento nas crianças e não intervêm, para que serve a sua condição de educador? 

Pelo mesmo motivo, os pais dos sete meninos que praticavam o bullying sobre uma criança chamada Jokin, foram condenados a pagar, cada um, 10 mil euros à família da criança que acabou tirando a própria vida, vítima da violência dos outros colegas. Um colégio de Madrid foi condenado a pagar 40 mil euros de indenização à outra família por tolerar a violência a uma criança. A sentença mostra a responsabilidade do colégio quanto às faculdades de guarda e custódia de seus alunos, em substituição dos seus pais e ressalta que é necessário e urgente que nas escolas se adotem medidas de prevenção contra a violência escolar, que afeta cada vez mais, mais crianças. A professora da criança citada reconheceu que todos tinham conhecimento da violência à criança. A família, como muitas outras, também já considera mudar de cidade. Entretanto, a criança ainda tenta superar o trauma, o estresse e os medos que a persegue. 

As crianças devem aprender a se defender e resolver seus problemas por si sós, mas o bullying não é uma situação de um dia, é violência praticada dia após dia e os pais devem estar muito atentos às atitudes dos filhos e incentivar o diálogo familiar cada vez mais. 

Vilma Medina

Diretora de GuiaInfantil.com