A maioria das crianças bilíngues gagueja

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Na minha escola tinha um menino que gaguejava. Ele gaguejava tanto que parecia que às vezes parecia que estava zombando dos demais. Eu ficava impressionada com sua dificuldade para gesticular com fluidez as palavras, e muitas vezes eu tentava ajudá-lo completando a palavra que tentava dizer. Os especialistas em gaguejo infantil dizem que isso é um erro. E, além disso, revelam que o bilinguismo infantil pode levar a criança a gaguejar. 

A gagueira em crianças que falam dois idiomas

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O estudo feito por uma equipe de pesquisadores britânicos revela que as crianças que falam mais de um idioma antes dos 5 anos são muito mais propensas a gaguejar e podem ter problemas para superar esse transtorno da fala. 

Foram estudados 317 casos de crianças com gagueira residentes em Londres e nos seus arredores, que buscaram um fonoaudiólogo  quando tinham entre 8 e 10 anos. Três de cada quatro crianças era bilíngue. Além do inglês a criança falava um segundo idioma em casa. Das crianças bilíngues, quase 61% gaguejava e somente 26% não apresentavam esse transtorno.

Os que gaguejavam o faziam em dois idiomas. E, na maioria, o transtorno começou quando eles tinham 4 anos. 75% das crianças que não gaguejavam usavam o segundo idioma em sua casa, enquanto os demais falavam os dois idiomas, provavelmente porque seus pais falavam idiomas diferentes. Isso significa que se uma criança utiliza somente um segundo idioma em casa, antes dos 5 anos, a probabilidade de que comece a gaguejar seja menor. 

O estudo revela que o transtorno afeta mais os meninos do que as meninas, numa relação de quatro varões para cada mulher. E, ainda que a gagueira não tenha afetado o rendimento escolar das crianças, os pesquisadores insistem que é necessário que se diagnostique a gagueira o quanto antes, para que as crianças não desenvolvam baixa autoestima, insegurança e outras dificuldades. 

A gagueira não é uma doença, mas sim uma alteração e uma dificuldade da fala que afeta a 1% da população escolar, entre 2 e 5 anos de idade. 

Vilma Medina

Diretora de GuiaInfantil.com