Eu não sou seu amigo, sou o seu pai!

Vilma Medina

Vilma Medina

Sempre me senti uma pessoa privilegiada pelos maravilhosos pais que tenho. Desde pequena, eu não entendia como os pais de algumas amigas minhas as tratavam com tanto autoritarismo, com tanta distância e frieza. Meus pais eram primeiro pais, mas uns pais acessíveis, carinhosos, compreensíveis e amigos. 

E é assim até hoje. A perfeição não existe, mas acredito que o que se faz com amor acaba dando bons frutos. Através do fórum de Guiainfantil.com, chegou-nos um relato muito curioso e interessante de um pai orgulhoso por ser amigo dos seus filhos. Eu o reproduzo porque creio que valha a pena lê-lo. 

Os pais podem ser amigos dos seus filhos?

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Eu não sou seu amigo, sou o seu pai! Pois, na verdade, eu adoraria que fosse assim. Mas, não, quando eu era pequeno ou adolescente os pais não eram amigos dos seus filhos, eram sim governantes da vida deles. Não falo em mudar o autoritarismo pela permissividade. A gente sabe como os extremos são nocivos. Digo que o respeito que um filho podia sentir pelos seus pais, muitas vezes aparentava medo ou desconfiança. 

Já li vários especialistas que confirmam que as crianças que aprendem a mentir muito cedo são aquelas vivem sob o temor do castigo. No entanto, para os pais autoritários suas crias são simples mentirosos, e eles se perguntam onde a criança aprendeu a mentir, ou se assombram como rapidamente aprende todo o mal do pequeno farsante, e que somente uma boa surra ensinará o caminho, cumprindo à perfeição o seu penoso papel de Pilatos.

Poucas pessoas que conheci contaram com pais amigáveis, e muitos desses pais só fingiam ser afáveis e compreensíveis quando a casa estava cheia de outros ‘amigos diabinhos’ e quando todos se retiravam voltavam a exercer o direito abusivo que a propriedade privada lhes concede. Sei muito bem que com estas palavras que digo, vou a vulnerar a sensibilidade de muitos que estarão em desacordo porque custará muito reconhecer que existam pais assim, mas existem. Ainda existem.  

Estou cansado de ver e escutar a pais que enchem a boca em público falando do amor que têm pelos seus filhos e em particular reaparece em cena a mãe ou o pai repressor que se oculta atrás da fachada de uma ‘família perfeita’. Recordar frases do tipo ‘eu, que deixei e fiz tudo por vocês’ ou ‘você diz isso para sua mãe’... Contribui com a minha triste reflexão. Nunca acreditei nessa tese de reflexo. Creio que essa medíocre hipótese foram os pais opressores que inventaram. Não é imperativo se parecer com os pais e tão pouco é certo que estejamos condenados a receber a cruel herança da similaridade sanguínea. E mais. Estou decidido e orgulhoso em fazer parte desse conjunto de pais dispostos a reverter a conduta autoritária dos nossos progenitores. Saber como estão, o que acontece com eles, o que os angustia, compreendê-los ainda que me custe um esforço incrível e valorizá-los tal como são, é uma cruzada que só pretende ser como os pais que sempre quis ter.  

Obviamente, não sou e jamais conseguirei ser um pai perfeito, mas saber isto pela boca das minhas filhas e que isso não significa que planejo dar-lhes uma bofetada ou castigá-las pela reprovação, já me torna um pai eficaz para escutar e aceitar que existe algo que não estou fazendo bem. 

Relato do blog de Manuel Diaz

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