As mães mais felizes são as mais completas

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

O ideal feminino da maternidade na sociedade se mantém num espaço sacramentado, que hoje em dia é difícil de encaixar. Este lugar está cheio de responsabilidades, exigências e deveres, e o arquétipo exige a renúncia de muita coisa para sustentar o mito materno. O cansaço, a decepção e a rebeldia não encaixam bem neste padrão de perfeição. 

Uma mãe feliz não renuncia a si mesma

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Mas, para que eu quero ser uma mãe perfeita se posso ser uma mãe feliz? Educar aos meus filhos da melhor maneira possível, implicando-me em todos os aspectos da sua vida, refletindo sobre suas necessidades e me informando sobre a melhor forma de ajudar-lhes implica em querer dar-lhes o melhor, mas não por isso estamos isentas de erros. Temos que assumir que como seres humanos podemos nos equivocar às vezes no ato altruísta de amar nossos filhos. 

É precisamente essa experiência de amor, que sinto como mãe, o que me faz mais feliz. O amor materno não tem protótipo e é algo que se descobre pela primeira vez ao longo da gestação. Seguramente, nunca me senti tão acompanhada como aquele ano em que levei meu bebê dentro da minha barriga. 

Mais tarde, esse amor incondicional me fez mais feliz quando pude desfrutar do meu bebê após o seu nascimento e lhe acompanhei durante os seus dias, meses e anos posteriores no seu desenvolvimento. Seguramente o amor materno tem um mistério, uma verdade oculta que ninguém ainda conseguiu decifrar, mas que nos torna felizes, ainda que como mães não consigamos a perfeição. 

Para os filhos, para todas as crianças em geral, sua mamãe é a maior e a melhor, mas o seu ideal materno é imaginário e em contínua transformação, assim como nossos filhos ao longo da sua infância. A figura materna constrói desde o nascimento da criança um vínculo muito forte, que irá mudando e se transformando à medida que mudam as circunstâncias da vida de ambos. Assim, na medida em que o filho recebe o amor dos seus pais, ele vai encontrando na sua vida outros amores, e será capaz de amar e ser feliz dando a outros o que os seus pais puderam dar a ele. E esse é o verdadeiro trabalho de uma mamãe: dar-lhe tanto amor ao seu filho quanto ele necessitar para ser uma pessoa plena.  

No entanto, acredito que nunca devemos renunciar a nós mesmas, nem às nossas aspirações pessoais e profissionais, sem tentar conciliar ambas as coisas, a maternidade e os nossos objetivos. O enriquecimento pessoal não somente é bom para nós mesmas, mas também para as crianças, porque para sermos felizes necessitamos um equilíbrio nos diferentes planos da vida. De nada vale entregar às crianças tudo o que desejam se não as ensinarmos a valorizá-las. Amar aos filhos também significa reconhecer nossas falhas. Estou convencida que o primeiro dever de uma mãe é ser feliz e para sê-lo não se pode ser uma mãe abnegada até a saturação. Nem sou, nem pretendo ser uma mãe perfeita. Eu prefiro minha casa a qualquer pedestal. 

Marisol Nuevo