Castigos ou consequências educativas. O que funciona?

O castigo pune, mas a consequencia educativa corrige a conduta

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

O castigo convencional baseado em “vai ficar sem ver televisão, sem brincar com o videogame, sem sair...” já não tem muito efeito nas crianças. A psicóloga infantil Maria Luisa Ferrerós, autora do livro “Castigado! É necesario? – Castigo é necessário?” – reconhece que esse tipo de castigo não custa nenhum esforço para a criança e não tem relação direta com o que tenha feito de mal, e, portanto, distante da sanção pontual, não tem utilidade para corrigir a conduta da criança no futuro.

Por que o castigo convencional não funciona?

Castigo ou consequência educativa para as crianças

Longe do castigo físico, entendido como palmada ou tapa, o castigo privativo tão utilizado nos últimos anos, não tem resultados efetivos. Na prática, ficar sem ver a televisão, para a criança não significa esforço algum, porque pode ler um conto, brincar ao celular ou com o videogame, substituindo essa atividade por outra.  

Dizer à criança que vai ficar sem sair tão pouco vai resolver o problema porque em casa poderá falar com os amigos pelo celular, através das redes sociais e outros meios. A psicóloga Maria Luisa Ferrerós assegura que “esse tipo de castigo privativo não significa nada para a criança, e por isso não servem como castigo. O castigo é uma sanção, mas deve ter uma consequência educativa. O castigo não é a mãe ficar histérica, perder as estribeiras e falar a primeira coisa que vier à cabeça para a criança parar com aquela atitude. O castigo educativo é uma consequência que vem após uma atitude inadequada como correção, para que a criança aprenda a se controlar”.

Corrigir a atitude da criança para que não volte a fazer aquilo pelo que foi castigada é o que esperam todos os pais quando aplicam algum castigo ao seu filho. No entanto, a queixa geral é que para a criança tanto faz, e volta a fazer a mesma coisa uma e outra vez, para desespero dos pais. Para terminar com essa roda sem fim, a psicóloga propõe que “o castigo educativo seja coerente, firme e constante. Não pode ficar castigando a criança por tudo, porque senão vai saturar a criança e ela não te levará a sério. Quando propuser um castigo deve cumpri-lo, e deve ser adequado ao que a criança fez. Por exemplo, não é coerente que a criança fique uma semana sem sair porque quebrou um vaso”. Portanto, os castigos nunca devem ser desproporcionais, mas sim coerentes.

Em que se diferenciam os castigos das consequências educativas? O castigo educativo tem que custar algum esforço para a criança para que a ajude a se controlar e para que da próxima vez aquilo, pense duas vezes. Essa é a característica mais importante do castigo educativo, que custe algo à criança.

As consequências educativas têm que ser imediatas, coerentes, aplicáveis e firmes. Como exemplos práticos de consequências educativas a condutas inapropriadas das crianças, a psicóloga infantil Maria Luisa Ferrerós propõe o seguinte:

- Se a criança não fez os deveres à tarde, na hora correspondente: acorde a criança às 6 horas da manhã para que os faça.

- Se não quis tomar banho: na manhã seguinte não terá roupa limpa para ir ao colégio.

- Se não se vestiu a tempo para sair para o colégio: Veja se vale a pena levá-lo à escola de pijama mesmo (compre algum que pareça um abrigo).

- Se não veio jantar após tê-lo chamado muitas vezes: tire a janta e congele. Pode dar à criança um iogurte, nada mais.

A atitude firme dos pais, saberem dizer “não” e estarem convencidos de que o que estão fazendo é pelo bem do filho é o mais importante para que ele compreenda que deve mudar sua conduta. A psicóloga recomenda que “devem-se manter firmes, sem se chatear, sem gritar. Se você tem claras as coisas, transmitirá muita segurança. Não é fácil, mas é uma questão de se convencer, de ter essa força mental de dizer: eu posso com as crianças, e já estou cansado de gritar e essa não é a maneira correta”.

Muitos pais não sabem o que fazer para que seus filhos se portem bem. Maria Luisa Ferrerós reconhece que “dentre as falhas que os pais cometem na hora de educar os filhos, a mais importante é a insegurança, além da falta de união do casal na hora de agir porque dentro da ‘equipe dos pais’ é muito difícil estarem de acordo”.

Marisol Nuevo. Redatora de Guiainfantil.com