A incontinência na gravidez

Por que acontecem perdas de urina durante a gravidez?

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Durante a gestação, a mulher experimenta alterações nos diferentes sistemas do corpo humano. Em geral, o sistema urinário é um deles. O útero, que descansa sobre a bexiga, vai aumentando de tamanho e de peso com o passar das semanas. Dessa maneira, vai exercendo uma pressão cada vez maior sobre a bexiga e sua capacidade de armazenamento vai diminuindo. É normal que a vontade de urinar aumente. Por outro lado, devido ao aumento hormonal, o esfíncter uretral interno da bexiga tem menos capacidade de contração e, por menos que a bexiga tenha urina, ele se relaxa e provoca escapes. 

Tipos de incontinência na gravidez

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A necessidade de ir ao banheiro com frequência é normal na gravidez. No entanto, a micção frequente não deve ser confundida com a incontinência. 

1. Incontinência de urgência. É a necessidade de urinar continuamente. A incapacidade de poder aguentar, uma vez que a vontade vem. Na maioria dos casos está associada à doenças neurológicas ou a bexigas hiperativas. 

2.  Incontinência de esforço. Na gravidez, existem ocasiões em que as perdas de urina vêm depois de tossir, espirrar, rir ou levantar algum peso. São conhecidas como incontinência de esforço e se devem, na sua maioria, à fragilidade da musculatura do assoalho pélvico. 

3. Incontinência mista. Acontece quando as citadas anteriormente vêm juntas.

Qual o mecanismo da incontinência de esforço?

As gestantes podem sofrer de incontinência de esforço devido à debilidade da área abdominal e da musculatura do períneo. Imaginemos uma bexiga (bola de soprar) cheia de água, com um nó um tanto frouxo. O nó representa o assoalho pélvico e a bexiga, a capacidade abdominal. Quando se tosse, ri levanta um peso ou espirra, a pressão sobre o abdômen aumenta, pressionando nossa bexiga.  É como se apertássemos com força, e em consequência disso, a água vai querer sair. Se o nó estiver bem dado, se for forte, não escapará, mas se é frouxo, a água sairá. É isso mesmo o que acontece no nosso corpo. Quando a bexiga tem urina, ao tossir, rir ou espirrar, aumenta a pressão abdominal e essa empurra a bexiga. Se o assoalho pélvico estiver contraído, não haverá perda, mas se for débil e não aguenta a pressão, teremos um escape de urina. 

O que podemos fazer contra a incontinência na gravidez? 

A incontinência de esforço pode ser transitória e de relativa facilidade de prevenção. Conseguir um bom estado do assoalho pélvico para poder controlar quando quisermos a saída da urina é primordial. Para conseguir isso, temos de ter bom tônus muscular e força dos músculos do períneo e capacidade de contraí-lo e relaxá-lo quando quiser. 

Os exercícios de Kegel são muito eficientes para recuperar o tônus muscular e fortalecer o assoalho pélvico. O importante é ser constante, uma vez que não tem efeito imediato. Os resultados começam a ser notados depois de 6 a 8 semanas. Como medidas extras, deve-se tentar evitar a ingestão excessiva de líquidos, a prisão de ventre e manter uma boa higiene íntima para evitar infecções. E, sobretudo, como ajuda adicional, contrair a musculatura do períneo ao tossir, ao rir ou a espirrar. O médico e o fisioterapeuta poderão indicar quais são as medidas e os exercícios pertinentes para manter o bom estado do seu assoalho pélvico.

Marián Zamora Saborit

Fisioterapeuta. Técnica em Pilates

Colaboradora de GuiaInfantil.com

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