Como se pode prevenir a depressão infantil

Silvia Álava, psicóloga infantil nos fala sobre a prevenção da depressão em crianças

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

A depressão infantil não apenas afeta aos adultos. As crianças também a sofrem. Não é a mesma coisa uma criança que se sinta triste que uma criança depressiva. Existem sintomas que indicam uma depressão em crianças como a ansiedade, mudanças bruscas de humor ou birras constantes e sem um motivo aparente. É o psicólogo quem deve tratar a uma criança depressiva, mas os pais podem ajudar a prevenir esse transtorno.

A psicóloga Silvia Álava nos esclarece como se pode prevenir a depressão infantil, como se cura e que consequências podem acontecer sobre uma criança que não tenha sido tratada por um psicólogo. 

Prevenção da depressão em crianças

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1. Pode-se prevenir a depressão infantil? 

A depressão infantil é possível ser prevenida. Sobretudo temos que saber que tipo de condutas, ou que tipo de atitudes pode ter os pais para conseguir que seus filhos sejam filhos sadios, felizes. Que coisas podemos fazer? Por exemplo, não superproteger a criança. Isso é uma coisa que não nos ajuda absolutamente. Quando não damos certa liberdade para que a criança se desenvolva, para que adquira suas condutas básicas, para que seja autônoma, na verdade estamos prestando um desserviço porque não conseguimos que a criança seja autônoma nem que se sinta segura de si mesma. 

Os pais são o modelo a seguir, logo eles têm que ser exemplo de segurança, de confiança. Os pais têm que se mostrar firmes e seguros. Existem muitos pais que se mostram muito hesitantes que fazem a criança ver que está ‘ganhando’, que ela tem mais força que o adulto. 

Também será muito importante que as crianças não ganhem as coisas com facilidade. Quando uma criança tem de tudo ‘grátis’, ou seja, que não teve que fazer nenhum esforço para ganhá-lo, não o valoriza. Por outro lado, quando uma criança sente que tenha custado um pouco de esforço, ela valorizará mais. Não há que permitir-lhe tudo porque as crianças precisam de normas e limites. Isso dá segurança a elas, além de confiança. 

Uma coisa fundamental. Há que ensiná-la desde bem pequenina a tolerar a frustração. E a frustração começa a ser tolerada desde muito pequenos. Quando uma criança de apenas dois anos quer um caramelo e ela dá uma birra terrível porque não o ganha é importante que ela aprenda a tolerar a frustração. 

2. Que consequências pode gerar uma depressão infantil não tratada?

Consequências que pode gerar uma depressão infantil não tratada. Quando não tratamos o problema ele pode ficar crônico e a gente poderá encontrar uma criança que tem uma apatia generalizada, uma desmotivação em relação ao estudo, com o restante das suas tarefas e isso gerar um fracasso escolar, dificuldades de conduta, má convivência em casa e má relações sociais com seus iguais. Também vai depender muito de cada criança e de cada família. 

3. A depressão infantil tem cura? Uma vez que a criança tem depressão ela vai sofrê-la para sempre? 

A depressão infantil tem cura da mesma forma que a depressão em adultos. Na verdade muitas vezes o que a gente encontra é que tanto as crianças como os adultos que tenham passado por um baque (uma situação difícil) no final elas vão gerar uma série de técnicas que finalmente vão ajudá-las a não somente superar essa depressão ou a superar esse baque emocional, mas também poderão ajudá-las no futuro porque já contam com essas técnicas e com essas estratégias. É claro que tem cura e que também pode melhorar muitíssimo. 

4. A depressão é diferente em meninos e em meninas? 

Eu ainda não encontrei um estudo que tenha dito que existem mais meninos que meninas. Além disso, temos que recordar que quando as crianças são pequenas, a prevalência é muito pequena (estamos falando em torno de 1 a 3%). Mas, é diferente quando já tenhamos alcançado a puberdade e à adolescência. A gente encontra que a prevalência seja maior em meninas do que em meninos. Que é uma coisa parecida ao que acontece na idade adulta. Na idade adulta também a prevalência da depressão é maior em mulheres do que em homens. 

5. Que perfil de criança tem mais propensão à depressão? 

Primeiro temos que saber que cada criança é única e que há que estudar cada caso especificamente. Mas, se as crianças são educadas num ambiente de superproteção, de ausência de normas, de limites, onde encontram tudo feito, onde não tenham adquirido a importância do esforço, elas são crianças mais propensas a terem problemas emocionais. 

6. Quando se diz que uma criança está depressiva e quando se diz que uma criança só está triste?

É muito importante fazer um correto diagnóstico. Não é a mesma coisa que uma criança esteja depressiva do que uma criança que está triste. As pessoas têm que ter muito cuidado com ‘as etiquetas’. Para que possamos dizer que uma criança está depressiva tem que acontecer as seguintes situações: tem que estar quase o dia todo triste; deixam de fazer atividades que gostam; tem que ter perdido o apetite; que tem dificuldade de conciliar o sono; encontra-se fatigada; tem dificuldade para se concentrar e isso começa a interferir na escola, começa a interferir nas suas relações familiares, começa a interferir nas suas relações com os amigos. Todas essas coisas têm que acontecer e, alem disso, tem que acontecer por um período de tempo prolongado.