Alergia infantil múltipla

É cada vez mais maior o número de crianças com algum tipo de alergia

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Segundo especialistas, 1 em cada 3 adultos e 4 em cada 10 crianças tem algum tipo de alergia. Tem aparecido casos de alergia total a comida. É o caso do menino Kaleb, de 5 anos, que mora em Adelaide, sul da Austrália. Ele se alimenta através de uma sonda ligada a ele 20 horas por dia. O soro que recebe, contém nutrientes essenciais para a sua vida. O governo assumiu o tratamento e uma enfermeira o acompanha todos os dias à escola.

Hoje no mundo, cerca de 30% da população tem algum tipo de alergia. A previsão para o final do século é de 50%. A alergia trata-se de uma verdadeira guerra do organismo visando expulsar um corpo estranho. Os anticorpos provocam no sangue, liberação de histamina, substância responsável pelos sintomas mais comuns da alergia, como os espirros.

No Brasil, o casal de irmãos João Víthor e Nicole também desenvolveram casos curiosos de alergia. Nicole, de 2 anos só pode beber bebida láctea. Cada lata dura em torno de 1 dia e meio e custa por volta de R$ 500,00. Já seu irmão João Víthor, só pode tomar outro tipo de leite (a lata custa R$ 450,00) e só come carne de rã (R$ 60,00 o quilo). Segundo a mãe, o mais difícil foi o diagnóstico da alergia múltipla. Desde que nasceu, o menino vomitava muito e tinha diarréias contantes e sempre diagnosticavam como virose ou fome. Somente aos 9 meses de idade receberam o diagnóstico, quando iniciou o tratamento.

Crianças con alergias

Os meninos tem alergias a sabonete, cremes hidratantes e a alguns medicamentos. João Víthor não foi para a escola porque os médicos também identificaram alergia a cola, giz de cera, massinha de modelar e outros itens presentes na sala de aula.

A esperança dos pais é que alguns médicos afirmam que o caso deles evoluem para a cura, mas não tem data definida para isso.

A Prefeitura de Goiânia custeia as latas de leite para as crianças, mas sengundo a mãe, de vez em quando atrasam e têm que recorrer ao Ministério Público.

É importante alertarmos que as crianças brasileiras tem direitos legais ao fornecimento de medicamentos e atendimento médico especializado. Muitas vezes é necessário mover uma ação judicial. Leites especiais e medicamentos de alto custo, o governo deve assumir.

Prevenção da alergia múltipla

É possível prevenir ou retardar a aparição de alergias em crianças mediante intervenções dietéticas que se iniciam desde a gravidez. Em mães com antecedentes alérgicos, recomenda-se evitar durante a gravidez os alimentos alergênicos tais como, leite, ovo, pescados, mariscos, amendoim e soja, e substituí-los por outros que não comprometam seu estado nutricional, complementando com cálcio quando necessário. A mãe deve continuar evitando os alimentos durante o aleitamento materno exclusivo e mantê-lo por no mínimo seis meses, já que alérgenos alimentares podem ser transmitidos através do leite materno.

Mães que relatam ter ingerido alimentos alergênicos, como amendoim ou nozes quando grávidas e amamentam seus filhos, sentem-se culpadas por acreditarem que a alergia da criança tenha sido causada pelo aleitamento materno. A introdução de alimentos sólidos com potencial alergênico deve ser adiada em crianças com antecedentes familiares de alergia. Recomenda-se que a introdução desses alimentos aconteça após o primeiro ano de idade para alimentos como, ovo, pescados e soja. Por volta dos três anos de idade, pode-se introduzir o amendoim.

Apesar de todas as dificuldades quanto ao diagnóstico correto da alergia alimentar, sua importância é inquestionável na faixa etária pediátrica, sendo necessária uma abordagem ampla, na qual envolve atendimento multidisciplinar e a conscientização da família quanto à importância das orientações a serem seguidas, objetivando o controle dos sintomas.

Crianças com alergia múltipla devem ser encaminhadas para um Nutricionista para se assegurarem que a dieta de eliminação da criança seja nutricionalmente adequada.

Cuidados con as reações alérgicas na criança

A alergia pode ser fatal. Existem formas de reações alérgicas que podem matar em alguns minutos: o edema de Quincke e o choque anafilático. O edema de Quincke é caracterizado por um inchaço localizado ao nível das vias respiratórias. A pessoa afetada pode assim ser vítima de asfixia. Já o choque anafilático é uma reação generalizada grave, que começa por um mal-estar e que pode levar a uma insuficiência circulatória aguda, acompanhada de dificuldade respiratória. Na ausência de tratamento (injeção de adrenalina), a violência deste choque pode levar à morte. As picadas de himenópteros (abelhas,vespas), certos medicamentos e alimentos podem provocar este tipo de reação.

Uma alergia não tratada pode manter-se durante toda a vida e pode mesmo complicar-se ou agravar-se. No entanto, se for controlada a tempo, pode desaparecer. Os medicamentos como os anti-histamínicos e os corticosteróides proporcionam alívio imediato, mas não tratam o problema de fundo. A dessensibilização alergênica é um tratamento mais específico e consiste na readaptação progressiva do organismo ao alérgeno responsável pela doença alérgica. O ideal é combinar estes dois tipos de tratamentos.

Existe uma predisposição genética para a alergia. Quanto maior o número de pessoas dentro de uma família com casos de alergia, maior o risco da criança nascer com algum tipo de alergia:

- 15% se não houver hereditariedade.
- 40% se o pai ou a mãe for alérgico(a).               
- 60% se o pai e a mãe forem alérgicos.                
- 75% se o pai, a mãe e um membro da família próxima forem alérgicos.

É a sensibilidade alérgica que se transmite e não a alergia em si mesma (os filhos não serão forçosamente alérgicos ao mesmo alergénio que os pais).