O direito de brincar dos nossos filhos

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Tenho uma tia, idosa, que quando era pequena sofreu a guerra civil espanhola. Ela sempre dizia que por ser a mais velha entre as irmãs e pela situação tão espantosa que enfrentou naqueles anos ela não teve a oportunidade de brincar e agir como uma criança. Ela considera que esta vivência lhe havia roubado a infância e a tinha marcado para sempre.

Brincar: um direito a ser defendido

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Todas as crianças têm o direito a ser educadas e protegidas, mas, além disso, devemos outorgar-lhes o direito de se divertir, de aprender, de se expressar e ‘viajar’ através das brincadeiras. Segundo a Convenção dos Direitos da Criança que celebra o seu aniversário no dia 20 de novembro, toda criança tem direito de brincar. A brincadeira não é apenas um entretenimento prazeroso para a criança. É uma ferramenta de experimentação com a qual a criança compreende e explica como as coisas funcionam. É um processo intelectual importantíssimo na criança, além do que serve de vínculo afetivo e social com outras crianças. 

Observar suas brincadeiras nos faz entender com facilidade a importância que tem para o seu desenvolvimento e felicidade, e, além disso, nos ajuda a conhecer melhor aos nossos filhos, já que nos vemos refletidos nas suas ações lúdicas, suas inquietações, destrezas ou medos. A brincadeira da criança com os brinquedos, com a natureza, com os objetos cotidianos, com a imaginação, com os amigos, com as palavras é uma atividade que não pode faltar, porque além de proporcionar felicidade à criança torna-se muito necessária para o seu desenvolvimento intelectual, emocional e social, porque: 

- As impulsiona à experimentação e a criatividade;

- Favorece a comunicação com os familiares e com o semelhante; 

- Incentiva sua individualidade, autonomia e iniciativa; 

- Desenvolve a imaginação e a personalidade; 

- Serve para aprender condutas e resolver problemas que parecem insolúveis, inclusive para aliviar os conflitos e doenças. 

A brincadeira permite o amadurecimento psíquico da criança através da assimilação, compreensão e adaptação da realidade externa. Brincar é uma excelente preparação para a vida adulta. Por todas essas razões, a gente faz um chamamento para que os países lutem para tornar realidade este direito tão importante na vida das crianças e evitar que nada nem ninguém possa roubar-lhes a infância de nenhuma criança do mundo. 

Patro Gabaldón