Crianças trabalhando: isso tem que acabar!

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Sei que parece fácil dizer isso, que as crianças não devem trabalhar, especialmente quando não muito distante de onde a gente vive existem famílias que passam fome de verdade, e que, ainda contra a sua própria vontade empurram os seus filhos pequenos para trabalhar. E eu me pergunto: Quem são os responsáveis por tudo isso? Quem são os verdadeiros culpados de que não se respeite os direitos firmados e que protegem essas pequenas criaturas? Suas famílias, nós, o governo... Alguma vez você já pensou nisso? Quando me chegam notícias e imagens de crianças exploradas em minerações, em construções ou ‘ganhando’ a vida nas ruas, meu coração fica apertado e eu me sinto muito impotente. Para que servem os direitos se não são colocados em prática? Falta absolutamente tudo para que muitas crianças: acesso à educação, um registro de nascimento, assistência médica, atenção, carinho... E, sobretudo respeito. 

Atenção! Crianças em trabalhos perigosos. Erradiquemos o Trabalho Infantil

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No Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil 2015, o lema é: ‘não ao trabalho infantil, sim a uma educação de qualidade’.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) revela que das 215 milhões de crianças em situação de trabalho infantil no mundo, 115 milhões de crianças estão envolvidas em trabalho perigoso, ou seja, que pode prejudicar sua saúde, segurança e a moral dos pequenos. 41 milhões são meninas e 74 milhões são meninos. 53 milhões de crianças têm de 5 a 14 anos de idade e 62 milhões de 15 a 17 anos. A mais alta concentração do trabalho infantil perigoso é registrada na agricultura, trabalho doméstico e nas ruas, e na indústria (minerações, construção). 

Os trabalhos perigosos são aqueles que expõem as crianças a abusos de ordem física, psicológica, ou sexual; os que realizam trabalhos debaixo da terra, embaixo d’água, em alturas perigosas ou em espaços fechados; os que trabalham com máquinas, equipamentos e ferramentas, os trabalhos que são realizados num meio prejudicial onde existam substâncias ou agentes perigosos ou a temperaturas ou níveis de ruído ou de vibrações que sejam prejudiciais à saúde das crianças. Também se considera um trabalho perigoso os que implicam condições especialmente difíceis como os horários prolongados ou noturnos, os que retêm injustificadamente a criança em locais do empregador. 

Um dos objetivos do Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil é garantir que todos os países elaborem a sua própria lista de trabalhos perigosos e atuem contra eles. Como? Pois, garantindo a educação das crianças, combatendo a pobreza que gera o trabalho infantil, mediante o incentivo da proteção social, garantindo trabalho decente aos adultos e velando pelo cumprimento das leis contra o trabalho infantil.

Os governos têm a responsabilidade de garantir que as crianças que tenham idade legal de admissão ao emprego, trabalhem em condições de segurança. Seguramente o seu filho, assim como a minha filha, tenha os direitos acatados, mas lembre-se que ‘do outro lado da rua’ existem crianças que são levadas, pela necessidade de sobrevivência, a ganhar a vida colocando em risco sua própria saúde. Devemos conscientizar nossos filhos sobre a necessidade de acabar com isso. Ou melhor, quando cresçam, possam lutar mais efetivamente contra o trabalho infantil. Que bom seria que no futuro tudo isso fosse simplesmente ‘um conto triste’ e penoso da história.

Vilma Medina

Diretora de GuiaInfantil.com