Abuso escolar: o que as crianças dizem através do seu corpo

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Em numerosas correspondências que a gente recebe na nossa redação, observamos que o tema abuso escolar é um dos que mais preocupam aos pais. Uma mãe nos conta que seu filho de oito anos não quer ir à escola. Chora e se agarra a ela e se queixa de que está com dor de cabeça, de barriga e assim acontece todas as manhãs. A mãe o leva ao médico e diz que a criança não tem nada, daí então, a mãe começa a suspeitar que a criança não quer ir à escola porque tem medo, fobia e já não tem dúvidas: ‘alguma coisa aconteceu’. 

Quando a criança sofre abuso escolar 

Essa mãe nos conta que tentou falar com seu filho, oferecendo um ambiente tranquilo e seguro para que ele se expressasse, mas não conseguiu nada. A mãe pensa e começa a juntar os fios. Já faz alguns meses que seu filho inventa coisas para não ir à escola, que não se interessa tanto pelos estudos, que suas notas acadêmicas baixaram e que a professora, na última reunião, disse que seu filho não participava e se mostrava muito quieto e reservado durante as aulas. A partir daí, a mãe não tinha mais dúvidas. O problema está na escola e se pergunta: ‘Será que meu filho está sofrendo violência escolar?’.  

Pode ser que alguma coisa realmente possa ter acontecido na escola, mas a criança não sabe identificar nem dar nomes. O abuso escolar é como os cupins, aqueles insetos que comem madeira. O abuso vai inibindo e destruindo a segurança, a força, a autoestima, a fantasia, a confiança e a liberdade das crianças, dando lugar ao medo, à insegurança, à dor, a falta de autonomia e a incapacidade de reação das crianças. As crianças não se queixam à toa. Muitas vezes as dores físicas não se devem somente por uma queda ou machucado, ou ainda devido a uma doença. Podem ser a expressão de uma dor que está lá dentro, oculto no interior da criança. 

Aos oito anos, nem todas as crianças sabem resolver seus problemas e conflitos. Reconhecem o que está mal, mas não sabem como reagir contra isso. Isso ocorre não somente através do abuso escolar, mas também por situações como o divórcio dos pais, a perda de um ser querido, uma mudança de casa ou de colégio. Quando temos problemas e não conseguimos exteriorizá-los, ficamos como um pássaro doente, sem cantar. Os pais devem começar a escutar não somente o que as crianças dizem, mas observar o corpo delas também. Isso nos ajudará a conhecê-los e a orientá-los de uma melhor forma. 

Daí vem a importância do diálogo familiar. A criança que tem nos seus pais o conforto e a segurança em qualquer situação terá mais facilidade de falar a respeito de algum abuso que esteja sofrendo dentro ou fora das escolas. 

Vilma Medina

Diretora de GuiaInfantil.com