Por que não se deve superproteger a criança

Vilma Medina

Vilma Medina

Às vezes a gente protege tanto as crianças que produz risadas. Para os pais, o mundo é um foco de riscos e tentamos evitar a todo custo que o nosso filho sofra. Assim a gente coloca um capacete, joelheira e até a gente gostaria de cobri-lo com plástico de bolhas. Por dentro e por fora. A gente tenta afastar a todo custo das crianças que insultam. A gente tapa os ouvidos. A gente tapa os seus olhos. Então... Como vão viver?  

Por outro lado, tão perigoso é o oposto, quando os pais nunca vigiam os seus filhos e vivem o dia todo despreocupados por completo deles. O importante é o equilíbrio e o senso comum. 

Os perigos em superproteger em excesso as crianças

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Uma vez eu vi uma mãe que levava o seu filho de um ano com uma tira elástica. Eu achei estranho. Era uma imagem um tanto cômica. Parecia um cachorrinho atado numa coleira. Sua mãe me disse que isso só era para evitar que a criança caísse porque estava aprendendo a andar. Mas, eu pensei... E se a criança não cair, como vai aprender a andar? Claro, eu venho de outra época. 

No meu tempo (não faz tanto tempo assim) as crianças aprendiam a base de quedas, cicatrizes e de ‘galos’ na cabeça. A gente conhecia muito bem o caminho do kit de primeiros socorros da casa. Um pouco de água oxigenada e mertiolate e pronto. Nem uma lágrima. As feridas faziam parte do jogo.  

As crianças gostam muito de explorar o desconhecido e sentir as ‘asas livres’ para poder descobrir mistérios. Porque em certa idade, o mundo é uma caixa de segredos. A gente era destemida e gostávamos de desafios. A gente subia na árvore com medo, mas subíamos. A gente se atirava de ladeiras em cima de um skate. Alcançávamos os nossos objetivos. Superávamos problemas. E tudo isso gerava um emaranhado de coragem, desejos, fantasia, criatividade e autonomia

Hoje em dia a gente coloca estofados em todas as esquinas e pontas da casa. A gente proíbe nossos filhos de brincar na areia para não se sujarem. A gente busca não frustrá-los cedendo a todos os seus caprichos. Somos muito mais permissivos. A gente tem mais dificuldade em impor limites e dizer um belo NÃO. A gente busca dar a eles tudo o que desejam, mas não os deixamos voar livres porque podem se machucar. É como se tivéssemos em casa um passarinho fechado numa gaiola. E o que vai acontecer quando um dia você decidir que já é hora do pássaro abandonar sua gaiola? Que já não vai querer sair dela, porque é a única coisa que conhece, porque tem medo de voar e porque nunca voou. 

Estefanía Esteban

Redatora de GuiaInfantil.com

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