A escola livre, uma educação alternativa à educação rígida

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Há apenas 3 anos as escolas conhecidas como de ensino livre alcançavam uma quarentena na Espanha, no entanto agora abriram mais de 500 e não dão conta da demanda. 

Por que essas escolas têm experimentado este auge nos últimos anos? O que têm de especial? Por que cada vez mais pais as escolhem como alternativa? A principal razão dos pais é que, enquanto o ensino tradicional tem fracassado com muitos alunos, com um aumento do abandono escolar e um grande desinteresse pelos estudos, o ensino livre mantém um ideal de ensino onde não existe esse abandono, e, além disso, provoca no aluno um interesse natural em aprender. 

Benefícios da escola livre para as crianças

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E como se consegue essa ‘magia’ aonde as crianças vão contentes à escola e onde se aprende brincando? A idéia não é nova e já é implantada em muitos países há muitos anos, especialmente nos nórdicos, e os seus principais precursores vêm criando escolas desde os anos 70: Montessori e Waldorf. Ainda que nos últimos anos tenham aparecido novos seguidores dessas doutrinas liberais, abrindo-se as portas a inovadoras possibilidades letivas.   

O fracasso da escola tradicional se baseia em compartilhar as mesmas matérias por igual a todos e pretender que aprendamos no mesmo ritmo. Elimina-se a criatividade, os ensinos artísticos, tudo aquilo que nos incite a sairmos das normas e se aplicam metodologias rígidas onde o aluno é um mero espectador do discurso do professor. Por isso, atualmente os pais vêem como o sistema educativo morre diante das novas gerações que demandam uma alternativa mais intuitiva e ativa. 

Por outro lado o ensino livre se baseia no respeito, aprende-se experimentando não memorizando, ensina-se a colaborar e não a competir, as crianças aprendem no seu próprio ritmo, os erros são vistos como parte do aprendizado, não se cerceia a criatividade, e requer um maior envolvimento das famílias. Dá-se muita importância ao acompanhamento emocional, a empatia, as consequências lógicas ao invés dos castigos, e a aprendizagem é estimulada através dos impulsos curiosos das próprias crianças, sem nenhuma agenda pré-estabelecida.  O professor se iguala ao aluno e passa a ser um simples orientador da aprendizagem. O resumo da sua ideologia se dá na famosa frase de Benjamin Franklin: ‘Fale e eu esquecerei; Ensine-me e eu poderei lembrar; Envolva-me e eu aprenderei’. 

A educação livre torna as crianças mais felizes 

Tem-se comprovado ao longo dessa última década que as crianças que vão a essas escolas são mais felizes, aprendem as mesmas coisas que nas escolas convencionais e não existe o abandono escolar. 

No entanto, ainda que tudo a princípio possa parecer-nos vantagens, também há quem se oponha a esse tipo de ensino. As razões que se alegam é que é muito complicado manter uma sala de aula com um número grande de alunos nessas condições de individualidade, exigindo grandes instalações nessas escolas, caras, e com poucos alunos por professor. Também existe a crença de que uma criança que cresce nesse ambiente ideal, mais adiante na sua maturidade lhe custará se adaptar a uma sociedade competitiva e com normas para todo mundo. Por outro lado, as escolas livres acabam sendo privilégio de poucos, e muitas vezes se convertem na alternativa de famílias endinheiradas com filhos que não se adaptam às escolas convencionais.  

Mas, o certo é que na atualidade acabam sendo uma opção real, e se refletirmos um pouco, que criança diria não a esse tipo de escola? Minha opinião como mãe e ex-aluna é que essas opções deveriam ser abertas a toda população como uma maneira nova de enfrentar o ensino: livre, aberta e apta para todos. 

Patricia Fernández

Redatora de Guiainfantil.com