Como ensinar as crianças o que é o perigo

Vilma Medina

Vilma Medina

A partir do seu primeiro aniversário, os bebês começam a dar seus primeiros passos e começa para as mães um caminho de observação contínua para salvar nossos pequenos ‘kamikazes’ de muitas quedas e acidentes absurdos devido à ingenuidade própria dos seus movimentos iniciais. Mas, se existe algo que me deixava de cabelo em pé o dia todo era ver meu filho em situação de perigo. Sua curiosidade era mais forte do que sua incipiente capacidade motora, e ele se arriscava muito para alcançar ou pegar qualquer coisa. 

Bebês e crianças precavidas, mas não temerosas

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Sua inesgotável energia, sua motivação alimentada pelo domínio das novas habilidades psicomotoras e a sua enorme curiosidade, o convertiam em uma espécie de artista de circo em busca do mais difícil, seja no equilíbrio, trapézio e malabares. Para evitar acidentes, ou no melhor dos casos, sustos desnecessários pelas suas travessuras, eu tentava me antecipar ao que pudesse ocorrer. Assim, reconheço que estava observando o meu filho o dia todo, vigiando-o para ver o que estava fazendo. Nunca o deixava sozinho e quando não escutava nenhum ruído, sempre pensava no pior, na travessura que ele estava aprontando

Além disso, nunca perdia a oportunidade de explicar a ele onde estava o perigo em cada situação. Se, por exemplo, eu tinha pegado um detergente no armário para colocar na lavadora, eu explicava a ele que aquilo não se comia, nem levar à boca nunca. Quando acendia o fogão ou o forno, eu explicava que aquilo causava queimaduras graves e machuca muito... E assim eu tentava ensinar normas básicas de segurança para que ele mesmo se mantivesse longe dos perigos. Ainda que ele não falasse, eu sei que compreendia perfeitamente.

Reconheço que eu tive que me armar de paciência, confiada em que depois de insistir muito, tudo aquilo acabaria dando os seus frutos e ele terminaria avaliando seus desejos de explorar em função do perigo. Com o tempo, eu descobri que havia feito o correto, ainda que as crianças aprendam com suas quedas e em função da sua maturidade e em função do seu amadurecimento em cada etapa do seu desenvolvimento.

Por este motivo, nunca é demais adaptar a casa com medidas de segurança à prova de crianças: coloquei fechaduras de segurança nas janelas, cercas nas escadas, protetores nas tomadas, acolchoados nas quinas dos móveis, principalmente nas mesas, guardei em armários altos ou trancados com chave, os medicamentos, os produtos de limpeza e de higiene e guardei tudo o que pudesse causar acidente pela casa. Ainda assim, ele não se livrou de uma brecha e vários machucados pelas quedas. 

Além disso, no nosso afã de ensiná-los o perigo é importante não cair na superproteção. Eles devem aprender por eles mesmos e a superproteção paterna ou materna os limita. Assim, antes de evitar que suba ou desça de um meio-fio, dizendo-lhe: ‘cuidado para que você não caia’, é mais recomendável dar-lhe a mão para que o faça com segurança. Também é importante que brinquem muito no parque para que quando chegarem a casa eles estejam mais tranquilos. Toda essa educação tem um objetivo final: que as crianças se tornem mais precavidas e não temerosas. 

Marisol Nuevo

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