Bebês de alta demanda. Como agir

Quando o bebê necessita de muita atenção dos pais

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Todos sabem que existem bebês tranquilos, fáceis, que comem bem, dormem sozinhos sem problemas. Já outros bebês parecem tornar tudo mais difícil: é difícil dormir sozinhos, podem precisar do peito da mãe, ou da mamadeira, requerem o tempo todo os braços da mamãe, choram muito, comem mal, não gostam quando a mãe muda a comida. Esses são os chamados ‘bebês de alta demanda’ e implicam num esgotamento extra para os pais, tanto que muitas vezes pensam antes de terem outro filho.

O que é um bebê de alta demanda?

Bebês que necessitam ser atendidos com mais frequencia

Segundo minha experiência como pediatra e como mãe, isso depende mais do bebê do que dos pais. Ou seja, muitos pais se sentem responsáveis pela atitude do bebê, do choro e de como estão educando o seu pequeno, e na realidade o que fazem é o que realmente deveriam fazer: adequarem-se à criança. E não sentir remorsos por isso. 

O termo ‘bebê de alta demanda’ foi batizado pelo Dr. Sears após suas vivências com sua filha Hayden. O Dr. Sears teve cinco filhos e quando teve a última sentiu que ela era diferente dos outros filhos, já que se comportava de modo diferente de todos os outros filhos, e os métodos que funcionavam com os outros não funcionavam com a Hayden. 

Daí se deu conta de que as pessoas próximas, vizinhos, amigos e familiares, começaram a qualificá-la como chorona, irritante, intranquila... E batizou com o termo de ‘Bebê de Alta demanda’ ou de ‘Alta necessidade’ (High need baby). 

Características de bebês de alta demanda

- São bebês intensos: colocam muita energia em tudo o que fazem, choram com insistência, alimentam-se com voracidade, riem forte e protestam com mais força se não conseguem o que querem. 

- São crianças tensas, quase hiperativas, e sua mente tende a estar num estado similar, como preparadas para qualquer coisa. Não gostam de ficar quietas ou muito presas (por exemplo, em carrinhos de bebê). Elas gostam do contato físico, dos braços e sempre gostam de sentirem-se livres. 

- Dormem pouco, sempre buscando coisas novas para fazer, tocar e explorar. Além disso, despertam várias vezes, diante de um mínimo estímulo. Não só precisam de ajuda para dormir, mas também para continuar dormindo. 

- Absorvem muito dos seus pais e babás. Elas demandam contato, carinho, braços, brincadeiras e nunca estão satisfeitas. Os pais devem ter muita paciência já que sentem que o bebê absorve ‘toda a sua energia’. 

- Comem com muita frequência. A sucção junto com o contato físico lhes tranquiliza e reconforta, por isso pedem comida com frequência. A alimentação faz com que chorem menos, porque se sentem mais satisfeitos. Assim que estiverem satisfeitos, rejeitarão o peito ou a mamadeira e poderá ser acalmado com uma chupeta.  

- Suas demandas têm um caráter de ‘urgência exagerada’. Parece que soou uma sirene de emergência. E nunca parece que você chega a tempo! 

- Nada do que funciona com outros bebês, funciona com ele. E se você encontrar algo que funcione, e o acalma, no dia seguinte já não funcionará. 

- Não basta que a mamãe esteja perto. Eles querem tocá-la, querem estar nos seus braços, dormir com ela e requerem o máximo de contato físico possível. Eles se angustiam muito com a separação. 

- Podem requerer muito tempo e dedicação na hora das refeições também. Demoram muito tempo para comer sós e em aceitar as mudanças de alimentação e de sabores. 

Diante desse tipo de bebê, os pais acabam tendo muitas dúvidas. Não sabem se o bebê está comendo o suficiente ou não, muitas vezes passam rapidamente à alimentação mista para assegurar que a criança não fique com fome e se questionam constantemente se o que estão fazendo está certo ou não. Não devemos nos perguntar o que estamos fazendo de errado, já que essas características são do bebê e não depende dos pais, e temos que nos adequar a eles sem nenhum remorso. 

Malena Hawkins. Pediatra