Bebês de alta demanda. Como agir

Quando o bebê necessita de muita atenção dos pais

Todos sabem que existem bebês tranquilos, fáceis, que comem bem, dormem sozinhos sem problemas. Já outros bebês parecem tornar tudo mais difícil: é difícil dormir sozinhos, podem precisar do peito da mãe, ou da mamadeira, requerem o tempo todo os braços da mamãe, choram muito, comem mal, não gostam quando a mãe muda a comida. Esses são os chamados ‘bebês de alta demanda’ e implicam num esgotamento extra para os pais, tanto que muitas vezes pensam antes de terem outro filho.

O que é um bebê de alta demanda?

Bebês que necessitam ser atendidos com mais frequencia

Segundo minha experiência como pediatra e como mãe, isso depende mais do bebê do que dos pais. Ou seja, muitos pais se sentem responsáveis pela atitude do bebê, do choro e de como estão educando o seu pequeno, e na realidade o que fazem é o que realmente deveriam fazer: adequarem-se à criança. E não sentir remorsos por isso. 

O termo ‘bebê de alta demanda’ foi batizado pelo Dr. Sears após suas vivências com sua filha Hayden. O Dr. Sears teve cinco filhos e quando teve a última sentiu que ela era diferente dos outros filhos, já que se comportava de modo diferente de todos os outros filhos, e os métodos que funcionavam com os outros não funcionavam com a Hayden. 

Daí se deu conta de que as pessoas próximas, vizinhos, amigos e familiares, começaram a qualificá-la como chorona, irritante, intranquila... E batizou com o termo de ‘Bebê de Alta demanda’ ou de ‘Alta necessidade’ (High need baby). 

Características de bebês de alta demanda

- São bebês intensos: colocam muita energia em tudo o que fazem, choram com insistência, alimentam-se com voracidade, riem forte e protestam com mais força se não conseguem o que querem. 

- São crianças tensas, quase hiperativas, e sua mente tende a estar num estado similar, como preparadas para qualquer coisa. Não gostam de ficar quietas ou muito presas (por exemplo, em carrinhos de bebê). Elas gostam do contato físico, dos braços e sempre gostam de sentirem-se livres. 

- Dormem pouco, sempre buscando coisas novas para fazer, tocar e explorar. Além disso, despertam várias vezes, diante de um mínimo estímulo. Não só precisam de ajuda para dormir, mas também para continuar dormindo. 

- Absorvem muito dos seus pais e babás. Elas demandam contato, carinho, braços, brincadeiras e nunca estão satisfeitas. Os pais devem ter muita paciência já que sentem que o bebê absorve ‘toda a sua energia’. 

- Comem com muita frequência. A sucção junto com o contato físico lhes tranquiliza e reconforta, por isso pedem comida com frequência. A alimentação faz com que chorem menos, porque se sentem mais satisfeitos. Assim que estiverem satisfeitos, rejeitarão o peito ou a mamadeira e poderá ser acalmado com uma chupeta.  

- Suas demandas têm um caráter de ‘urgência exagerada’. Parece que soou uma sirene de emergência. E nunca parece que você chega a tempo! 

- Nada do que funciona com outros bebês, funciona com ele. E se você encontrar algo que funcione, e o acalma, no dia seguinte já não funcionará. 

- Não basta que a mamãe esteja perto. Eles querem tocá-la, querem estar nos seus braços, dormir com ela e requerem o máximo de contato físico possível. Eles se angustiam muito com a separação. 

- Podem requerer muito tempo e dedicação na hora das refeições também. Demoram muito tempo para comer sós e em aceitar as mudanças de alimentação e de sabores. 

Diante desse tipo de bebê, os pais acabam tendo muitas dúvidas. Não sabem se o bebê está comendo o suficiente ou não, muitas vezes passam rapidamente à alimentação mista para assegurar que a criança não fique com fome e se questionam constantemente se o que estão fazendo está certo ou não. Não devemos nos perguntar o que estamos fazendo de errado, já que essas características são do bebê e não depende dos pais, e temos que nos adequar a eles sem nenhum remorso. 

Malena Hawkins. Pediatra

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