A fase do Não na infância

Quando aparece a fase do Não nas crianças

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Não! Não! Não! Essa é a resposta que recebemos do nosso filho toda vez que a gente propõe algo. Mas, por quê? O que aconteceu? O que foi que fizemos? Nosso filho se comportava tão bem e nos fazia sentir tão orgulhosos. E agora, de repente ele se opõe. E, além disso, ele se diverte! 

Parece que iniciou outra fase a mais no seu desenvolvimento. A fase de oposição. A etapa do Não.

O que é e quando aparece a fase do Não nas crianças

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A fase do Não pode se manifestar ao redor dos 15 meses de vida. A criança começa a buscar independência com suas interações, e quer tornar seus papais e mamães participantes das suas reivindicações. Vai começar a ‘primeira adolescência’, onde se instalam as bases para a adolescência que virá depois. 

Muita gente pensa que a criança reage assim somente para fazer justamente o contrário, mas o que realmente a criança faz é começar a experimentar as situações sociais. Provoca situações novas para ver o que acontece. É a sua maneira de aprendizagem.

Ao desenvolver sua independência, ela afirma o seu caráter. Assim que ela usa Não para tudo. Como bem poderia dizer Descartes quando passou por este período da sua infância: ‘Digo não, logo existo’. 

A criança usa esse ‘Não’ quando realmente quer dizer ‘Sim’. Quer dar a entender que se obedece às petições da sua mãe ou pai, é somente porque ela quer. É o seu treinamento para a adolescência. Aqui você tem alguns ‘Nãos’ muito típicos das crianças nessa fase: 

- O ‘Não’ por estar chateada: Você esteve com a criança no parque durante uma hora brincando no parque e agora ela não quer ir pra casa. 

- O ‘Não’ porque é o costume: você oferece à criança um brinquedo ou um chocolate ou algo que ela goste, mas, por inércia, você sabe o que ela responde? 

- O ‘Não’ porque está cansada: quando já não pode mais, é a palavra que sai com mais facilidade, e quase sempre acompanhada de uma birra.

Em tempo: as crianças também usam o ‘Não’ quando o querem dizer é Não mesmo. 

Conselhos para tratar uma criança nesta etapa

O primeiro conselho, e o mais importante é que os pais e as mães tenham paciência e vejam isso com senso de humor. Se os pais não deixarem as crianças expressarem suas emoções elas vão buscar outros caminhos para fazê-lo (chorar, chutar, morder, etc.), ou inclusive não expressá-los (danos emocionais).

Tomando como partida este primeiro conselho, devemos saber que temos de encontrar o equilíbrio: não ser demasiadamente firmes nem demasiadamente permissivos para manter uns limites claros: 

- Não castigar ao seu filho por dizer ‘Não’: há muitas alternativas ao castigo. Além disso, não castigue a criança porque está dizendo isso

- Dar às crianças mais alternativas e opções: dessa maneira, o seu filho sentirá que tem mais liberdade e controle da situação. Ao mesmo tempo estará mais disposta a colaborar. Por exemplo: escolher a roupa que irá vestir, escolher o conto que quiser que leiamos. 

- Não dar opção quando não existir possibilidade: Não perguntar à criança o que quer se existe apenas uma resposta aceitável. Por exemplo: colocar o cinto de segurança no carro. Ao invés de dar essa ‘opção inexistente’, você deve tentar guiá-la de uma maneira positiva. 

- Quanto menos normas, melhor: o excesso de regras faz provável que a criança não possa cumpri-las todas. Tente conseguir com que seu filho se sinta menos controlado e dêem autonomia e liberdade que ele busca nesta fase. 

- Evitar dizer ‘Não chore’: Evitar a negativa por parte do adulto. Se chorarem, os pais devem atendê-las para que perceba que ela não está sozinha. 

Esta fase da infância pode demorar até os três anos. Etapa, na qual, esse ‘Não’ vai acompanhado dos seus amigos inseparáveis: ‘Eu sozinho’, ‘você não’ e as birras. Da mesma forma que essa etapa vem, ela vai embora como por magia. Não existem fórmulas nem truques para fazê-la desaparecer. 

Borja Quicios Abergel

Psicólogo educativo