Como a idade da criança influencia na adoção

Diferenças na adoção de um bebê ou de uma criança mais velha

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Com certeza quando você comentou com pessoas que convivem contigo que está aguardando uma adoção fizeram muitas perguntas: por que você está fazendo, de onde é a criança, quanto tempo demora, qual a idade dela. Com respeito a esta última, já devem ter comentado que quanto menor a criança, melhor. 

Existe a crença generalizada de que quanto menor seja a criança, mais fácil será a adoção, e isso é uma verdade, pela metade. A verdade é que quanto maior a criança, mais difícil será encontrar uma família e muito mais se vier acompanhada de irmãos ou irmãs. 

6 razões pelas quais é mais fácil adotar a um bebê:

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1. Não tem memória consciente. A criança não se recordar das coisas te assegura que não falará da sua família biológica, não irá te comparar com a sua mamãe ou papais de antes, dos seus irmãos, dos seus brinquedos, e isso se torna mais fácil em muitos aspectos, sobretudo para você nesse pequeno medo que possa ter em perder a sua criança, que ela goste mais da sua família biológica, ou que ela possa pedir para voltar a conviver com a antiga família.

2. Não tem ‘maus hábitos’. Por maus hábitos a gente entende costumes do seu lugar de procedência em relação com a higiene, alimentação, resposta diante dos acontecimentos, demonstrações de afeto. Ficará mais fácil ensinar a um bebê a importância do banho, de comer verduras, de dar um beijo de boa noite...

3. Os bebês despertam mais ternura do que as crianças maiores. Todo mundo gosta de bebês e tudo o que eles fazem é gracioso e dá mais vontade de cuidar deles. As crianças maiores têm manias, comportamentos que não podemos controlar, que são espontâneas e que muitas vezes devem ser corrigidas. Além disso, elas já têm sua personalidade formada, o seu caráter. Já tem definidos os seus gostos e suas preferências, e nem sempre concordam com os seus, com os do seu pai, e isso poderá gerar alguma tensão.

4. Os pais têm a sensação como mais seus. Ter uma criança desde pequena te permite ter a tranquilidade de que não existe nada na sua vida que você não conheça e saiba identificar um choro, o que dá medo a ela...

5. Podemos compensar carências o quanto antes. Ter uma criança menor dará uma tranquilidade aos pais que recebeu todos os cuidados necessários: vacinas, dieta, escola, carinhos... 

6. Não está tão ferido emocionalmente. Ainda que, durante toda a sua vida, a criança crescerá com o fato de ter sido adotada, o dano será menor do que, além disso, tenha passado por vários centros, orfanatos...

Em respeito a tudo isso, temos que expor: os pais adotivos devem levar em conta que as carências podem acontecer a qualquer momento, danos e problemas de saúde que podemos desconhecer, porque a criança não pode comunicar o que aconteceu antes, nem o que está acontecendo agora. Com respeito à ferida em relação à sua ruptura familiar é um tema que sempre estará presente. Ainda que não se lembre da sua família biológica sempre estará presente a curiosidade e uma série de perguntas dolorosas sobre suas origens, que em algum momento os pais terão que responder, e vocês deverão estar ali para apoiá-la incondicionalmente. 

Ana María Linares

Psicóloga especializada em adoções

Clínica Atama Integral