As infusões durante a gravidez

Os perigos de tomar algumas infusões na gestação

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

As infusões de ervas, em geral, não contêm cafeína, salvo o chá, seja preto, verde ou vermelho, mas a sua segurança durante a gravidez não está totalmente comprovada.

Diferente dos medicamentos, que são pesquisados profundamente e, com base nessas pesquisas, aprovados ou não pela agência reguladora, as infusões, ou as ervas medicinais, não o são, pelo pouco que se sabe dos efeitos secundários que poderiam causar. 

Que infusões podem ou não serem tomadas durante a gravidez

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No caso de algumas delas, como pode ser a de camomila, não existem estudos suficientes em humanos para inclinar a balança, nem sequer os escassos que existem com animais podem esclarecer o tema, mas pelo seu histórico de uso durante os anos, tendem a se assumir como seguros. A camomila pode ser útil para melhorar situações de insônia na gestante, já que favorece o relaxamento.

Outras ervas, como o aloe vera, o chá de poejo, o dente de leão, a artemísia, a calêndula ou o ginseng, têm altas possibilidades de serem inseguras na gravidez, por isso devem ser evitadas, já que o feto pode vir a ser comprometido com a chegada, via placentária, de determinadas substâncias. 

Em particular, as folhas de poejo, contêm um monoterpene, que já foi relacionado com abortos e com propriedades tóxicas no nível do fígado e rins, por isso, ainda que a sua quantidade em infusão seja muito menor que óleo essencial, é mais seguro evitar o seu consumo durante a gravidez. 

São potencialmente seguras as infusões de gengibre, tomilho, anis, ou as folhas de framboesa. A infusão de urtigas é segura sempre e quando só se utilizem as folhas da planta, não as raízes. O gengibre em infusão pode ajudar com as náuseas matinais durante os primeiros meses de gravidez e a infusão de folhas de framboesa pode ajudar com que as contrações no parto sejam mais efetivas, por isso se recomenda não tomá-la até a semana 38 da gravidez. 

A infusão de urtigas é uma estupenda fonte de vitaminas e minerais, incluindo o ferro, o potássio e vitaminas A, C e K. Também tem efeitos estimulantes sobre o útero, por isso se recomenda não tomá-lo durante o primeiro trimestre e tão pouco fazê-lo em quantidades muito elevadas durante o segundo trimestre.

No entanto, não existem estudos que provem a segurança de nenhuma delas em 100%, por isso, em qualquer dos casos, conviria reduzir o seu consumo ao mínimo.

Efeitos dos chás para as gestantes

Quanto aos chás, todos contêm cafeína, aproximadamente uns 40-50mg por xícara, dependendo do tempo de infusão. Em geral, os resultados dos estudos realizados em gestantes concluem que doses superiores a 200mg de cafeína diária aumentam o risco de aborto e parto prematuro, por isso não se recomenda superar essa dose. Além disso, a cafeína se processa no fígado, por isso, na gravidez, quando este já realiza outras funções indispensáveis como a endócrina, pode se sobrecarregar se forem ingeridas quantidades superiores. No entanto, a cafeína é a primeira substância a ser liberada nos primeiros segundos da infusão, por isso, descartando a água da primeira infusão, pode minimizar-se a quantidade da mesma no chá. Como benefício, o chá contém polifenóis que previnem as doenças cardiovasculares, e antioxidantes que desaceleram o envelhecimento celular e protegem contra certos tipos de câncer

Carlota Reviriego

Licenciada em Ciência e Tecnologia dos Alimentos

Nutricionista