O parto em casa

Entrevista com Alicia Fontanillo: como é dar a luz em casa

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Alicia Fontanillo é uma das responsáveis do projeto Nacer em casa (Nascer em casa) um blog que pretendem orientar aos pais e profissionais sobre a opção de dar a luz em casa. Alicia tem mantido uma comunicação com Guiainfantil.com em que nos fala sobre o quer representa e como se desenvolve um parto natural em casa.

Para nascer em casa é necessário ser um parto natural

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Qual é a melhor maneira para dar a luz? 

O melhor lugar para dar a luz só tem que cumprir uma condição: ser um lugar seguro, em dois sentidos: 

1. Segurança exterior, no meio, onde cada casal esteja de acordo em relação aos possíveis problemas que podem acontecer durante o processo. 

2. Segurança interior, do casal, onde ambos possam se sentir tranquilos, em intimidade e confiança. 

Quais são as vantagens e desvantagens de um parto natural? 

No parto natural os profissionais facilitam com que o complexo processo do parto se desenvolva normalmente, evitando intervenções que podem ter efeitos contraproducentes a nível físico e emocional tanto para o bebê como para os pais. O parto natural, além disso, te permite viver a experiência: é como um rito de passagem que te leva a renascer como uma pessoa mais completa, mais madura, que se sente capaz de tomar as rédeas da sua vida. Agora bem, isso soa bonito, mas não é fácil, porque te coloca numa situação em que terá que enfrentar seus medos, suas inseguranças e suas fraquezas. 

Como é o parto em casa? 

Os profissionais (ginecologista e doula, em alguns casos) acompanham o processo, cuidando de tudo, dando segurança exterior com o monitor para controle materno-fetal intermitente e com uma maleta para resolução de emergências e contribuindo com a segurança interior com sugestões para favorecer o relaxamento, a tranquilidade, e tratando de reconduzir a crise emocional que possa acontecer para que não bloqueie o processo. No caso da minha clínica a gente garante nossa presença desde que o casal necessite uma vez iniciadas as contrações regulares, e até umas horas depois do parto, mas tratando de não incomodar, e nos retirando para algum espaço da casa quando o casal não necessite de nós. 

Podem ser utilizadas diferentes ferramentas para favorecer o relaxamento: a água quente, a música, o movimento espontâneo ou com a bola de Pilates, as massagens e muita paciência. Recebemos ao recém-nascido com tranquilidade e respeito, permitindo-lhe adaptar-se à vida no exterior ao seu próprio ritmo, apoiado no regaço materno, não separando seu cordão umbilical até que deixe de necessitá-lo, e evitando qualquer prática invasiva que não seja absolutamente necessária, respeitando o contato pele a pele que fortalece o vínculo materno-filial e promova as bases da sua relação para toda a vida. 

Esperamos em seguida a entrega da placenta, que habitualmente se produz de maneira rápida e limpa, e facilitamos a acomodação da mãe com o bebê e o pai, de maneira que o recém-nascido possa buscar o mamilo e iniciar o aleitamento. Observamos a evolução posterior, comprovando o bem estar de todos até que estejam seguros à nova situação. 

Que preço tem a assistência para dar a luz em casa? 

O preço para dar a luz na Espanha está entre os 1.500 e os 3.000 euros, dependendo da área. 

Que circunstâncias permitem a uma mulher dar a luz em casa? E quais não? 

Qualquer mulher sadia com uma gestação com evolução normal, de baixo risco pode efetuar o parto em casa. Não é recomendável naquelas mulheres que apresentem alguma alteração fisiológica ou metabólica importante: risco de hipertensão, diabetes gestacional, problemas de coagulação, anemias severas ou alguma outra doença possivelmente anterior à gravidez. Tão pouco recomendaremos o parto em casa se existir alguma situação fetal de risco

Que tipo de complicações pode ocorrer durante o parto em casa? 

Situações perigosas, mas muito raras e imprevisíveis, como o prolapso do cordão ou o desprendimento prematuro da placenta, o que não estão garantidos em nenhum lugar, porque a possibilidade de resolução depende, sobretudo das características de cada caso e da capacidade de resposta da equipe profissional. Existe a possibilidade de que se detecte durante o parto algum sintoma de risco fetal, ainda que os controles prévios não evidenciem nenhuma situação de risco. 

Alicia Fontanillo Garrote

Ginecologista - Obstetra