A gravidez múltipla é uma gravidez de risco

O risco para a mamãe e o bebê de uma gravidez múltipla

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Atualmente, no mundo, uma em cada 80 gravidezes é uma gestação dupla (gêmeos), enquanto que uma em cada 8.000 é uma gestação tripla (trigêmeos) e uma em cada 1.000.000 é uma gravidez quádrupla (quadrigêmeos). Existem mecanismos que podem dar lugar à gestação de vários bebês dentro do útero materno ao mesmo tempo. 

Riscos da gravidez múltipla para a mãe e para os bebês

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O mais frequente é o multizigótico, que aparece em 70% das gravidezes múltiplas. Resulta quando dois ou mais óvulos são fecundados por dois ou mais espermatozóides criando ovos (ou zigoto) diferentes (multizigóticos). Menos frequentes são as gravidezes múltiplas monozigóticas, que representam 30% das gravidezes múltiplas e resultam da divisão de um ovo em dois ou mais ovos idênticos (monozigóticos). Uma gravidez múltipla é uma gravidez de risco. 

Riscos de uma gravidez múltipla para a mãe 

O organismo de uma mulher tem que realizar um esforço para se adaptar a essa sobrecarga, que compreende: 

- Hipertensão arterial. Ocorre em 15 a 20% das gestantes de gêmeos. A pré-eclampsia ou hipertensão aparece mais precocemente e, às vezes, é mais difícil de controlar mediante os medicamentos que se usam habitualmente. 

- Diabetes gestacional. O diabetes gestacional aparece em 5 a 10% dos casos. 

- Anemia moderada a severa. Apresenta-se em 40% das gravidezes múltiplas e requer transfusão pós-parto em 5% dos casos. 

- Cesárea. Deve ser feita em 50 a 85% dos casos, segundo os hospitais, devido que as posições fetais diferentes à cefálica que os bebês adotam ao nascer aumentam nos partos múltiplos. 

- Parto prematuro. A duração média das gravidezes duplas é de 37 semanas. Não existem estatísticas que comprovem nos casos de mais de dois bebês. 

- Hemorragia pós-parto. A ampla área placentária e o útero muito distendido colocam a mãe em risco de sangramento depois do parto. 

- Aborto espontâneo. A perda de um ou de vários fetos espontaneamente é mais frequente nas gravidezes múltiplas. O risco de perda de bebês na gravidez aumenta também nos demais trimestres. 

Riscos de um parto múltiplo para os bebês 

Os riscos se derivam fundamentalmente da prematuridade (nascimento antes da 35ª semana de gestação) e do atraso do crescimento intrauterino. 

- Prematuros. 19% dos gêmeos são prematuros. Os bebês com baixo peso, especialmente aqueles que nascem antes das 32 semanas de gestação e/ou os que pesam menos de 1.500 g são mais propensos a apresentar transtornos na saúde no período imediatamente após o seu nascimento, assim como deficiências permanentes, como atraso mental, paralisia cerebral e perda da visão e da audição. 

- Atraso no crescimento. Em 30% das gravidezes de gêmeos acontecem atraso de crescimento de um dos gêmeos, e os dois em 15% das gravidezes. 

- Mortalidade perinatal. Chama-se assim a morte entre os 5 meses de gestação e a 10ª semana de vida. Multiplica-se por 6 nas gravidezes múltiplas. Nas gravidezes únicas é de 5 para cada 10.000 e nas de gêmeos de 30 para cada 10.000 gravidezes.  

- Defeitos congênitos. Os bebês de gravidezes múltiplas têm o dobro de risco de anormalidades congênitas (presentes no nascimento), incluindo os defeitos do tubo neural (como a espinha bífida), gastrointestinais e defeitos cardíacos. 

- Síndrome de transfusão feto-fetal (ou intergemelar). É um transtorno da placenta que se desenvolve somente nos gêmeos idênticos que compartilham a placenta. Os vasos sanguíneos se conectam dentro da placenta e desviam o sangue de um feto ao outro. Sucede em quase 15% dos gêmeos que compartilham a placenta. 

- Quantidades anormais de líquido amniótico. São mais frequentes nas gravidezes múltiplas, em especial para os gêmeos que compartilham uma placenta. 

Marisol Nuevo

Guiainfantil.com