Manobra de Kristeller no parto. Riscos

Complicações quando não se realiza um parto humanizado

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Cada vez são mais mulheres as que clamam por um parto humanizado. Não se trata de escolher aonde se realize o parto, mas escolher como o levará adiante. O parto humanizado é aquele em que a mulher pode decidir, caso se sinta segura e confia em que o pessoal que a atende respeitará em todo o momento o seu corpo e a saúde do bebê, já que conhece os riscos de certas intervenções e não as utilizarão sem justificação clara. 

Uma dessas intervenções que atentam diretamente contra o parto humanizado é a Manobra de Kristeller. Durante anos foi uma prática comum em muitas clínicas. Tanto é assim que muitas mulheres terão passado por essa situação sem saber que hoje em dia é uma prática totalmente desaconselhada no parto e inclusive proibida em alguns países. 

O que é a Manobra de Kristeller no parto?

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Durante o trabalho de parto, no momento da expulsão, uma enfermeira, e em algumas ocasiões, duas, sobem na cama e realizam uma forte pressão com o antebraço ou ambas as mãos sobre o abdômen. A finalidade é encurtar a duração da expulsão e ajudar com que o bebê saia pelo canal do parto. 

A Manobra de Kristeller está totalmente desaconselhada pela Organização Mundial da Saúde, e organismos obstétricos de todo o mundo. A razão principal para isso é que não está comprovado que se reduza com ela a taxa de partos por cesárea, nem que realmente ajude a encurtar o trabalho de parto. Os benefícios são poucos diante de tantos riscos comprovados: 

- Hemorragias

- Desprendimento prematuro da placenta 

- Aumento do risco de descolamento do períneo e/ou da vagina em terceiro ou quarto grau

- Rotura do útero e inversão uterina

- Fratura das costelas 

- Traumatismos e lesões graves no bebê 

Os contrários à Manobra de Kristeller defendem que existem outros tipos de intervenções menos perigosos para a mulher e que também ajudam na expulsão do bebê. Além disso, na maior parte das vezes se realiza sem o consentimento do paciente nem informação prévia sobre essa prática. As gestantes que não desejarem que a manobra seja realizada devem saber que toda pessoa tem o direito sobre o seu próprio corpo e a poder negar uma intervenção. 

Alba Caraballo

Editora de GuiaInfantil.com