Tipos de anestesia para crianças

Fármacos para controlar a dor durante operações em crianças

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Anestesia é uma palavra que procede do grego e cujo significado é ‘insensibilidade’. Trata-se de um ato médico controlado por um especialista em anestesiologia e reanimação, em que se administram medicamentos para bloquear a sensibilidade táctil e dolorosa de um paciente, seja em todo o corpo ou em somente parte dele. 

Trata-se de um procedimento fundamental sem o qual a medicina atual não teria sentido algum. A anestesia é necessária para operar e para realizar determinados procedimentos ou exames complementares dolorosos. De fato, a cirurgia sem anestesia é praticamente impossível, inclusive para os amantes da dor. Antigamente, terminava sendo a própria dor que antes ou depois ‘roubava’ a consciência dos pacientes para terminar com seu sofrimento. 

Diferentes tipos de anestesia que podem ser aplicadas em crianças

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1. Anestesia local. Somente se elimina a sensibilidade dolorosa de uma pequena região do corpo. A criança mantém a consciência em todo momento. É uma técnica habitual em odontologia (dentista) e em procedimentos menores sobre a pele. 

2. Anestesia loco-regional. Elimina-se a sensibilidade de uma região mais extensa do corpo. O mais frequente é que também se mantenha o nível de consciência, ainda que dependa a região que se deva anestesiar. Esse tipo de anestesia. Esse tipo de anestesia pode ser: 

A. Troncular. Afeta a sensibilidade de um nervo determinado ou plexo nervoso. 

B. Neuroaxial. Bloqueia o sinal doloroso no nível da medula espinhal. O medicamento anestésico pode se administrar nas proximidades da medula (conhecida como anestesia epidural, própria dos partos) ou dentro da própria medula (conhecida como Anestesia Raquidiana ou Raquianestesia).  

3. Anestesia geral. Induz-se um estado de inconsciência transitória da administração controlada de medicamentos por via intravenosa, por inalação ou ambas (anestesia balanceada). Esses fármacos devem ser: 

A. Analgésicos mais fortes. Evidentemente, o objetivo é eliminar a dor. Podem ser utilizados opioides naturais como a morfina, ou sintéticos como fentanil. 

B. Hipnóticos. Para induzir o sono e reduzir a ansiedade. Além disso, podem produzir certo grau de amnésia, por isso poderemos não lembrar os instantes prévios ou posteriores à anestesia. 

C. Moduladores do sistema nervoso autônomo. Ou seja, proteção diante de reações normais do organismo causadas pela dor, como, por exemplo, a sudoração, alterações da pressão arterial ou aumento da frequência cardíaca. 

D. Relaxantes musculares. Para conseguir a imobilidade do paciente, reduzir a resistência das cavidades abertas pela cirurgia e permitir a ventilação mecânica artificial mediante aparelhos respiradores que asseguram a oxigenação e a administração de anestésicos inalatórios. 

Por que usar a anestesia com uma criança

Embora perder a consciência ou não sentir dor sempre gere um pouco de medo e ansiedade, a anestesiologia moderna se encontra muito avançada e os efeitos secundários são excepcionais. Como sempre, na medicina, todo procedimento e todo tratamento tenha seus riscos, mas só devemos aplicar aqueles em que a relação benefício – risco seja claramente favorável ao benefício. 

Para terminar, e em questão de humor, se um bombeiro que estivesse apagando o incêndio na sua casa ele nunca lhe pediria ‘que gastasse pouca água’, e se a comissária de bordo estiver te dando um pára-quedas numa queda de avião, você nunca diria ‘coloque só um pouquinho’, você nunca vai dizer ao anestesista que ‘ponha pouca anestesia’.