Não, mamãe, eu sozinho... Rebeldia ou autonomia?

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Meu filho de dois anos me diz constantemente com sua língua de trapo: ‘Não mamãe, eu sozinho!’. Se eu fecho o seu casaquinho, ele muito contrariado o abre e continua fazendo por si mesmo, olhando-me com um olhar desafiador; se eu levo sua pequena mochila, ele se rebela e me diz um longo ‘nããããoooo, eu!’ Já, já não me deixará fazer mais nada! Ainda fala pouco, mas essa frase ele domina com perfeição. Como devemos agir diante dessa nova etapa do nosso filho? 

Crianças independentes e autônomas

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Com certeza você está pensando da mesma forma que eu, que é pura teimosia. Parece que age assim para me provar o contrário: se eu digo por aqui, ele diz por lá; se quero colocar os sapatos, ele se nega veementemente porque quer fazê-lo por si só (ainda que finalmente ele se renda da sua intenção porque aquilo era mais difícil do que ele esperava)... Em parte, essas rebeldias são frequentes nessa idade, mas também está claro que as crianças gostam de se sentir mais velhas. Desejam crescer e mostrar isso pra gente, com mais ou menos veemência, que podem fazer as coisas, ou pelo menos tentar o mesmo que a gente. Que genioso!

Esse comportamento habitual a partir dos dois aninhos e que pode parecer desafiante para os pais, ou uma conduta própria de uma criança teimosa ou cabeçuda, realmente é a inquietação em ser independente e autônoma que é despertado nela; a criança tenta nos mostrar suas novas habilidades e seus esforços em se superar, e necessita, portanto, que a gente deposite nossa confiança nela e lhe demos a possibilidade de deixá-la agir livremente. 

A maneira de conduzir com inteligência essa ‘teimosia’ é dar-lhes a oportunidade de aplicar suas inquietações e suas novas destrezas, permitindo-lhes que nos ajude nas tarefas cotidianas. Assim, por exemplo, podemos convidá-las a jogar o iogurte vazio no lixo, ou a recolher os brinquedos, a nos trazer a vassoura, a limpar as portas com pano, a tirar a roupinha, a lavar as mãos... A lista de pequenos trabalhos que satisfaçam suas necessidades de autonomia é enorme. 

Cada criança desenvolve capacidades de uma forma distinta. Cada qual tem o seu ritmo e seus próprios frutos, mas devemos dar-lhes a todos a oportunidade de provar ainda que se enganem. Acertar ou falhar, e daí? A tentativa e o erro fazem parte importante do seu aprendizado e a gente deve ‘abrir caminho’ no dia a dia. Mesmo assim, não devemos esquecer a importância de potencializar e aumentar a independência dos nossos filhos com pequenos desafios ao alcance das suas pequenas mãos, afinal são eles mesmos que exigem com esse enorme e potente: ‘Não, mamãe. Eu sozinho!’. 

Patro Gabaldón

Redatora