Ignorar alguém também é assédio escolar

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

É curiosa a confusão que os pais têm com o assunto do assédio ou bullying. Muitos acreditam que as situações são ativas e consistem em intimidar ou atacar pessoalmente a alguém seja com palavras ou com violência física, mas poucos conhecem que ignorar alguém também é assédio. E é justamente essa marginalização que acaba com a autoestima de muitas crianças na escola. 

Essas situações que são muito comuns em centros educativos, escolar e institutos podem chegar a ser muito prejudiciais para quem as sofrem, geralmente em silêncio e solidão. Sentir-se ignorado é um duro golpe para a autoestima de qualquer pessoa, mas, sobretudo para todas as crianças e adolescentes em período de formação da sua personalidade. 

Os efeitos do assédio entre as crianças

ignorar-alguém-também-é-assédio-escolar A 

Ainda que todos entendam que dar um murro ou chutes e fazer piadas durante um período de tempo prolongado, sejam situações claras de assédio ou bullying, devemos estar também atentos às situações psicológicas de exclusão. Portanto, as situações de assédio, intimidação ou vitimização sejam aquelas em que um aluno ou aluna esteja exposto, de forma repetida e durante um tempo a ações negativas feitas por outros companheiros. Por ações negativas se entendem tanto as cometidas verbalmente ou mediante contato físico, como as psicológicas de exclusão.

A palavra bullying é utilizada para descrever esses diversos tipos de comportamentos não desejados por crianças e adolescentes, que incluem essas piadas pesadas, o ignorar ou deixar deliberadamente de fazer caso de alguém, os ataques pessoais e inclusive abusos sérios. 

Às vezes, é um indivíduo quem faz o bullying, mas também se pode fazer um grupo em bando e neste último caso a pressão pode se agravar, precisamente pela força do grupo diante de um indivíduo solitário. No assédio, o mais importante não é a ação em si mesma, mas dos efeitos que produzem entre suas vítimas. A maioria das crianças que se sentem sós se perguntam por que não conseguem agradar a ninguém e por que todos ignoram sua existência. Às vezes, os pais optam em trocar a criança de escola para ser se assim, com novos companheiros deixa de se repetir essa situação, mas o isolamento é como uma moeda de troca e a situação normalmente volta a se repetir. 

Qual seria a solução contra o assédio? As advertências, as ameaças de expulsão e os castigos não conseguem intimidar os agressores, que contam com o respaldo dos amigos. Na maioria dos casos, essas situações passam despercebidas para professores e pais, uma vez que as crianças as sofrem em silêncio e com temor. Tornar-se um dedo-duro poderia ser ainda pior. Portanto, a detecção precoce por parte dos demais é fundamental para colocar um freio a essas situações.

Marisol Nuevo

Guiainfantil.com