Falar não é a mesma coisa que dialogar com os filhos

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Blá, blá, blá... Muitas vezes a gente não se dá conta, mas a comunicação que temos com nossos filhos é unilateral. Se o seu filho deixa de fazer um dos seus deveres, você começa a falar sem freios, a descarregar um monte de reprovações e não escuta o que ele tem a dizer. 

Se você continua sem dialogar com o seu filho, não estranhe se um dia ele comece a falar sem parar e não te escute. O diálogo é um hábito que pode ser adquirido pelo seu filho desde quando ainda é um bebê. 

Como escutar aos filhos

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Por que temos este costume de falar sem parar? Você já pensou nisso alguma vez? Eu sim, e muitas vezes. Eu me dei conta que a atitude de falar sem escutar aos filhos é completamente inútil. A comunicação só funciona e chega a um denominador comum, ou seja, a compreensão entre ambos, se entre pais e filhos existe uma conversa de duplo sentido, de ida e volta. 

Uma pesquisa feita pela Universidade da Califórnia (UCLA), Estados Unidos, revela que dialogar com os filhos ajuda a enriquecer o seu vocabulário e aumentar o seu desenvolvimento intelectual. É melhor do ler um livro para eles ou deixá-los na frente da televisão ou do computador uma tarde toda. 

Na pesquisa publicada na revista médica ‘Pediatrics’ participaram umas 300 famílias. Foram gravadas conversas entre pais e filhos, desde a hora que despertavam até a hora de dormir. Um dia completo todo mês e durante 6 meses para um grupo e de 18 meses para outro. Foi comprovado que as crianças que mais falavam com os adultos foram as que mais adquiriram uma linguagem mais rica. Inclusive as crianças que no início pareciam retraídas e caladas se tornaram mais falantes. Falar não é a mesma coisa que dialogar com os filhos. No lugar de um monólogo em que somente o pai ou a mãe falam e o filho escuta é necessário remodelar a comunicação com o filho. Escutar-lhe é tão importante como falar-lhe, já que pode ajudá-lo a desenvolver habilidades da fala e da linguagem. 

Não falemos a eles, mas sim com eles durante o café da manhã, almoço ou janta, na hora do banho, durante um passeio, no trajeto entre a escola e a casa, antes de irem dormir. Oportunidades de um bom diálogo não vão faltar. 

Vilma Medina

Diretora de GuiaInfantil.com