Conselhos para educar crianças rancorosas

Como ajudar o nosso filho a controlar o rancor

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

O rancor é uma emoção comum, mas que nem todos sabem administrar. Aparece quando a criança sente que uma pessoa tenha se comportado mal com ela deliberadamente. 

É importante que nosso filho aprenda a administrar o rancor, já que do contrário ele sofrerá e ficará irritado. O rancor não se consegue controlar durante a infância e pode gerar sérios problemas no futuro. 

4 conselhos para ajudar ao nosso filho a administrar o rancor

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É mais frequente que o rancor apareça em crianças que têm baixa tolerância à frustração, ou seja, aquelas crianças que não sabem gerenciar os ‘Nãos’ e querem justificar suas atitudes nos conflitos existentes (quer ter sempre razão). Para conseguir que o seu filho combata o rancor de forma adequada seria bom que você seguisse algumas dicas: 

1. Não perca de vista os seus objetivos e desenvolva uma atitude positiva. Muitas vezes palavras como ‘Eu te odeio e você me paga... ’, ressoam na sua cabeça e prejudica. Por isso, a melhor coisa é tratar de compreender que para o seu filho é difícil assimilar que as coisas não saiam sempre como ele queira e não se esqueça de que o seu verdadeiro objetivo é que pouco a pouco ele comece a ser mais flexível e escute as opiniões dos outros. Dessa forma ele compreenderá que o rancor não serve para se vingar ou melhorar a sua vida. Só irá piorá-la. Empregue frases do tipo: ‘Eu sinto que você não está gostando dessa decisão e esteja chateado, mas você está demonstrando que quer falar algumas coisas. Quer fazê-lo agora?’.  

2. Faça com que ele expresse seus sentimentos e não os reprima. Quanto mais for guardado, mais intensos eles se tornarão e ficará mais difícil que os obstáculos sejam superados. Por isso, é primordial que você não force que a criança peça perdão somente por costume ou diante de qualquer conflito se não estiver sentindo. A única coisa que você conseguirá é que o rancor aumente, a criança se sinta triste e tensa e não ajude a solucionar o conflito, mas sim o torne ainda maior. Assim você irá conseguir que a criança fale dos seus sentimentos contigo sobre o acontecido. 

3. Incentive espaços de tempo para a criança enfrentar a sua responsabilidade. Algumas vezes os sentimentos impedem de analisar a situação com objetividade e faz com que a gente se deixe levar pelo rancor. Para superá-lo é importante não ficar paralisado com pensamentos negativos que tenta passar a responsabilidade do que tenha acontecido e a outra pessoa tenha a culpa de tudo o que aconteceu. Por isso, eduque-os para que tratem de refletir sobre as situações de outro ângulo. O objetivo final com tudo isso é que a criança seja capaz de se afastar do rancor e escolher o ponto de vista menos prejudicial para ela mesma. Ela mesma se dará conta de que o rancor nunca é a solução. Por isso, empregue as palavras como: ‘o que aconteceu?’, ‘de 1 a 100, no que você acredita que tenha colaborado para que isso tenha acontecido? Você poderia ter agido em algum momento de outra forma?’. 

4. Seja justo com suas consequências e castigos quando desobedecer a uma norma. Deixe de utilizar castigos desproporcionais quando você estiver chateado porque a criança não tenha te obedecido. Esse tipo de castigo não apenas são ineficazes, mas também alimentarão o rancor e a vingança, já que não entenderá as razões do castigo e poderá pensar que você está agindo assim para irritá-la. 

Nuria García Alonso de la Torre

Psicóloga especializada em crianças e adolescentes