Os probióticos na alimentação infantil

Benefícios dos probióticos na dieta da criança

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Já faz décadas da chegada dos probióticos no mercado, mas desde então até agora, a variedade de cepas probióticas, assim como a diversidade de alimentos que os contém tem crescido muito. De fato, os produtos destinados na infância são cada vez mais variados e numerosos. 

Os probióticos são benéficos para as crianças ou isso só se trata de um mito?

O que são os probióticos e por que devem ser consumidos pelas crianças

os-probióticos-na-alimentação-infantil A 

Segundo a OMS, probióticos são microorganismos vivos que, quando são administrados em quantidades adequadas promovem benefícios na saúde do organismo. Em particular, uma das principais funções dos probióticos é a de manter o equilíbrio da microflora intestinal. 

As bactérias presentes no trato gastrointestinal estão diretamente ligadas com o sistema imunológico, de maneira que, se a microflora sofre danos, isso repercute diretamente nas defesas do organismo, colocando-as em risco. Acredita-se que a microflora se estabelece de maneira definitiva por volta dos dois anos. Portanto, nos primeiros dois anos da vida da criança, com o seu sistema imunológico ainda se formando e a sua microflora pouco a pouco se estabelecendo, qualquer contratempo pode afetar. 

As pesquisas dos últimos anos revelam que os probióticos podem ser benéficos para uma multidão de doenças, principalmente de índole gastrointestinal e, sobretudo para fortalecer o sistema imunológico quando estiver prejudicado.

Benefícios dos probióticos para as crianças

1. Após a administração de um ciclo de antibióticos, a microflora se encontra seriamente prejudicada, de modo que a possibilidade de contrair uma infecção secundária é alta. Os probióticos, em geral, podem ajudar a recuperar essa microflora e, portanto, a diminuir o risco de infecções secundárias, ajudando o sistema imunológico. 

2. Também são benéficos em episódios diarréicos, sobretudo aqueles cuja origem seja bacteriana e a causada pelo próprio ciclo de antibióticos, sendo conveniente consumi-los ao mesmo tempo dos antibióticos, com a finalidade de evitar o aparecimento do próprio episódio da diarréia. No caso das crianças, que nos primeiros anos podem adoecer com frequência, pode ser vantajoso considerar os probióticos como uma ajuda imediata para a sua recuperação, ainda que não se tenha observado melhora alguma na saúde de crianças sadias que os consomem habitualmente.  

3. Certos probióticos apresentam também benefícios para as crianças intolerantes à lactose, já que suavizam os sintomas e ajudam na digestão da lactose, por isso são uma alternativa interessante para manter os produtos lácteos, tão ricos em cálcio, na dieta da criança intolerante à lactose. 

4. Alguns estudos sugerem que os probióticos protegem também contra a enterocolite necrosante neonatal, uma doença bastante séria cuja causa é ainda desconhecida, em que os tecidos da parede do trato gastrointestinal começam a se inflamar e morrem. Neste caso, a suplementação com probióticos em prematuros nascidos com mais de 1,5 Kg de peso diminui significativamente o aparecimento dessa doença e também diminui a sua agressividade. 

No entanto, a variedade de cepas probióticas é ampla, e cada uma delas ou suas combinações podem ter diferentes propriedades, por isso não é conveniente generalizar quanto aos benefícios que podem proporcionar. É importante também diferenciar os derivados lácteos com probióticos dos iogurtes, já que não têm as mesmas propriedades. 

Carlota Reviriego

Nutricionista