Razões para vacinar as crianças

Por que se deve vacinar crianças e bebês

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Graças às vacinas, algumas doenças já não implicam em risco para a vida das crianças nos países desenvolvidos, mas continuam existindo em países subdesenvolvidos. A vacinação é a medida preventiva mais importante que a gente pode contar, tanto é assim que um dos sonhos do coletivo médico seria poder vacinar a 100% da população. Às vezes se esquecem da quantidade de vidas que são salvas e da quantidade de doenças que são evitadas. 

Por que devemos vacinar as crianças?

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Sabemos com certeza que a vacinação salva vidas. Algumas doenças que a gente poderia evitar com a vacinação causaram estragos anos atrás. Segundo dados do Ministério da Saúde da Espanha, por exemplo, a poliomielite na Espanha causou 2.132 casos de paralisia permanente no ano de 1959 e até 208 mortes em 1960, a grande maioria eram crianças menores de 15 anos. 

Quando se alcançam altas coberturas de vacinação contra uma doença se produz uma importante diminuição no número de pessoas infectadas. Pelo contrário, quando a cobertura de vacinação diminui, aumenta o número de pessoas suscetíveis e o número de casos da doença volta a aumentar. 

Quando existem suficientes pessoas vacinadas na população, a proteção alcança as pessoas não vacinadas, devido a que os microorganismos encontram muitas dificuldades para avançar. Antes da introdução dos calendários de vacinação em países desenvolvidos, as doenças infecciosas eram a causa principal de mortalidade infantil (tétano, poliomielite, difteria, tosse ferina, sarampo, rubéola, caxumba) e as epidemias eram frequentes. 

As vacinas são seguras e efetivas. São submetidas a uma avaliação exaustiva por profissionais capacitados, segundo protocolos internacionais. A administração pode causar incômodos no lugar da injeção, como dor local ou vermelhidão da área, mas nada comparado com a dor e a doença que causam as doenças que previnem. Os efeitos adversos graves são pouco frequentes. 

Graças aos programas de vacinação não são frequentes os surtos infecciosos das doenças que se previnem mediante vacinação. Por isso, algumas pessoas acreditam que essas doenças já estão erradicadas, que não implicam em perigo ou inclusive que é mais perigosa a vacinação do que as doenças que são protegidas por ela. Nada mais longe da realidade. Os surtos infecciosos seguem sendo uma ameaça, já que se diminui a cobertura vacinal (por exemplo, se existem pessoas que não se vacinam ou se vacinam com menos doses das que são recomendadas) emergem essas doenças. 

Um exemplo disso é a epidemia de sarampo que aconteceu na Bulgária nos anos de 2009 e 2010 ocasionando 24.047 casos de sarampo e 24 mortes. Outro exemplo é a epidemia na Federação Russa que começou em 1990 e posteriormente se estendeu a outros países como a antiga União Soviética, com mais de 157.000 casos e 5.000 mortos entre os anos de 1990 e 1998 (dados do Ministério da Saúde). 

Algumas doenças, pelo contrário, já foram eliminadas, por exemplo, a varíola, que produzia 5 milhões de mortes em todo o mundo foi erradicada em 1978 e a vacinação foi suspensa em 1980 na Espanha. 

A poliomielite está em via de ser erradicada, ainda que não tenha se conseguido isso. O sarampo na Europa ainda produz surtos epidêmicos, ainda eu nos últimos 10 anos a notificação de casos já diminuiu mais de 96%. O último surto em Madrid foi no ano de 2011, o que obrigou a adiantar a vacinação aos 12 meses. 

A vacinação é uma medida de alto custo, mas que implica num grande benefício para a saúde e o bem estar da população. Inclusive economicamente é rentável, pois é mais barato vacinar do que o gasto que implica a doença. Também protege dos efeitos em longo prazo das doenças, sobre o bem estar físico e mental. Previne mortes e deficiências, beneficiando tanto ao indivíduo como a sociedade. 

Malena Hawkins

Pediatra