Como é a dor de parto

As dores mais comuns durante o trabalho de parto

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

O parto é considerado um processo fisiológico paradoxo, já que por definição nenhum processo dentro da fisiologia tem que doer; mas, salvo em raras exceções, o parto é dolorido.  

A dor representa sem dúvida a parte mais característica do parto, sobre a qual tem se investigado muito, muito se tem falado, debatido, estudado. É sem dúvida a parte mais temida na nossa sociedade por milhares de mulheres e a que mais inquieta aos profissionais que estão em contato com as gestantes. 

O parto dói?

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Todos nós fomos educados de tal forma que devemos evitar o sofrimento, que a dor é ruim, e que na sociedade desenvolvida não teríamos por que senti-la, com todos os meios que dispomos... Esse temor à dor do parto vem sendo gravado desde quando ainda somos meninas ao longo dos séculos (‘você dará a luz com dores’, já dizia a bíblia no início da Criação), e dessa maneira nos condiciona à futura vivência do nosso parto.  

O uso da anestesia peridural leva as mulheres a imaginar um parto sem dor, mas esse anelo pode ser uma traição, já que nem sempre estará disponível (contra-indicações médicas, o anestesista está ocupado em outra intervenção de maior prioridade...), mas é que nunca deveria ser administrada até que o trabalho de parto estiver estabelecido, e a mulher tenha alcançado certa dilatação cervical. Por isso, a primeira etapa do parto será vivenciada com dor, com uma dor que não tinham se preparado (já que a mulher tinha optado pelo parto ‘sem dor’), uma vez que acha injusto e desumano. E, ao rejeitá-lo lhe dói ainda mais

Essas mulheres não estão motivadas, elas se sentem enganadas e não desenvolvem mecanismos internos para superar melhor a situação. A dor se converte em sofrimento, ou seja, numa vivência negativa da situação. As mulheres que sofrem menos são aquelas que estão mais motivadas, que estão preparadas para a dor, aceitam e usam mecanismos para enfrentarem tudo melhor.

Como é a dor durante o parto? 

A principal característica da dor do parto é o ritmo. Aparece uma alternância entre dor e ‘não dor’, ação e pausa, contração e expansão, aceleração e desaceleração, mal estar e bem estar. É como as ondas do mar. É nessa alternância onde reside o segredo da possibilidade de uma anestesia peridural. 

É uma dor intermitente com uma dinâmica individual regulada pelas necessidades da mamãe e do bebê. O movimento é uma das nossas armas; parir em movimento torna o processo muito menos doloroso, mais simples, harmonioso. Poderíamos dizer que a dor é o coreógrafo de um baile, e as mulheres as primeiras bailarinas. 

Devemos escutar o nosso corpo e confiar nele e na nossa capacidade de parir; devemos nos mover e nos adaptar àquelas posturas em que a dor seja menos intensa e aliviá-la; assim protegemos nossos tecidos, nosso corpo e abrimos diâmetros maiores para a passagem do nosso bebê através da gente; e protegemos ao bebê de adotar más posturas e a excessiva pressão sobre a cabeça, e assim diminuímos o estresse e o risco de sofrimento fetal

Sara Cañamero de León

Matrona