Dar o peito ao bebê após uma cesárea

Incômodos ao amamentar após um parto por cesárea

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

A cesárea é um a intervenção cirúrgica que se pratica porque o parto vaginal não é viável ou porque exista risco de perda do bem estar do bebê. No entanto, ainda que o aleitamento possa apresentar maiores dificuldades, essas podem se superar e é perfeitamente possível um aleitamento com sucesso. 

Fatores que atrasam o aleitamento após uma cesárea

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1. A separação entre a mãe e o bebê após a cesárea atrasa o início do aleitamento: 

Um dos primeiros e mais importantes fatores com que nos deparamos é o fato de que a cesárea atrasa a subida do leite. Ainda que haja estudos que assim afirmam, não é totalmente exato. 

Não é certo que a intervenção cirúrgica por si seja a responsável desse fato; o que dificulta o início do aleitamento é a separação entre as mães e seus bebês nas duas horas posteriores ao nascimento, que é quando os pequenos de maneira inata agarram o peito da sua mãe de maneira correta. Passado este período, aparece outro de letargia em que o bebê descansa e não está reativo. Infelizmente, após a maioria das cesáreas é neste momento de tranquilidade em que a mãe e o filho se vêem pela primeira vez, e os bebês têm pouca ou nenhuma vontade de iniciar a sucção e acaba atrasando o maior e melhor estímulo para o aleitamento materno.  

2. Outros obstáculos: dor e cansaço. 

A incisão e a cirurgia em si são muito dolorosas, e em cada mudança de postura muitas vezes ‘vemos estrelas’. No entanto, existem determinadas posturas em que podemos dar de mamar ao bebê sem sentir muita dor. 

Qualquer cirurgia implica num tremendo desgaste para qualquer pessoa. Se pensarmos que muitas mulheres estiveram durante muitas horas em trabalho de parto antes de se submeterem à cesárea, entendemos o esgotamento físico que implica. Além disso, teria que somar o fato de que para muitas mulheres a cesárea é vivida como um ‘fracasso pessoal’, por não serem capazes de parir. É por isso que um aleitamento materno com êxito poderia chegar a ‘curar’ as feridas emocionais que implica a intervenção. 

Conselhos para amamentar o bebê após uma cesárea

- ‘Que não os separem!’: É uma campanha já utilizada há algum tempo e não somente aplicável nos partos vaginais. Com maior responsabilidade deveriam realizar cesáreas respeitadas, em que o contato pele a pele é benéfico para a mãe e o bebê, e fundamental para o êxito do aleitamento materno. Lembre-se que as duas horas seguintes ao nascimento são cruciais. 

- Peça ajuda: se você se sente sobrecarregada, não consegue encontrar a postura e tem dúvidas peça ajuda aos profissionais de saúde que estão no hospital. Caso não sinta que os profissionais não lhe oferecem respostas, procure por assessores de aleitamento que vão ao hospital ou ao seu domicílio. É muito positivo que você procure por grupos de aleitamento. Neles você se sentirá animada e trocará dúvidas e conselhos com outras mulheres na sua mesma situação. 

- Não se faça de forte: tome analgésicos para melhorar a dor. A imensa maioria dos remédios é compatível com o aleitamento materno

- Descanse e deixe que os demais te ajudem: Tente descansar o quanto puder. Concentre-se em você mesma e em dar o peito ao seu bebê. Do resto, seu companheiro, familiares e amigos podem se encarregar. 

- Pele com pele, se a subida do leite se atrasa não fique nervosa: Realize pele a pele com o seu bebê (cobertos com algo para não sentir frio); coloque-o próximo do peito sem forçar-lhe a mamar. Fique assim todo o tempo possível. Sabe-se que é a melhor maneira de estimular a produção de leite. 

- Nada de mamadeiras ou chupetas: Até que o aleitamento esteja estabelecido para evitar a confusão com o mamilo. Se necessitarmos dar algum suplemento, o ofereceremos com seringa ou um copinho... 

Sara Cañamero de León

Matrona