Consequências da hipercriação nas crianças

Como a superproteção ou a hiperpaternidade afeta a infância

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

A hipercriação é um estilo educativo baseado na superproteção, um modo de educar as crianças controlando e planejando cada milímetro do que fazem. Uma forma de criação superprotetora em busca do filho perfeito, do filho de sucesso e triunfador. 

A hipercriação, também chamada hiperpaternidade se converteu num modelo educativo habitual nas sociedades acomodadas como a nossa, onde temos colocado os filhos num altar e os pais vivem e se desdobram por eles evitando-lhes qualquer contratempo, fracasso, erro ou sofrimento. 

Consequências da hipercriação nas crianças

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A hipercriação surge, sem dúvida alguma da boa intenção dos pais. Tem consequências muito negativas para as crianças. Crianças que vêem comprometidas suas capacidades de autonomia, independência e evolução devido a esse estilo educativo baseado na superproteção que as impede de tomar decisões, de aprender com seus erros e desenvolver habilidades pessoais tão importantes como pode ser ter uma boa autoestima. 

O resultado de um excesso de superproteção, de horários milimetricamente planejados, controlados e fixos, esse excesso de estimulação em busca da criança perfeita pode acabar gerando no futuro com muita probabilidade, crianças: 

- Inseguras.

- Com baixa autoestima, falta de confiança em si mesma, já que necessitam do apoio dos seus pais para tudo.

- Falta de criatividade por não dispor de tempo para desenvolvê-la. 

- Incapazes de tolerar a frustração ou o fracasso. 

- Crianças que se aborrecem facilmente porque não estão acostumadas a ter horas de lazer na sua vida. 

- Crianças estressadas e frustradas por não poder chegar ao nível que os pais idealizam e sequer podem abandonar projetos porque poderiam machucar seus pais.

- Incapazes de organizar sua própria vida.

As crianças não necessitam de superpais ou supermães. Elas só querem estar com a gente, e que as amemos e estejamos atentos a elas. Não querem pais que fiquem o dia todo as levando de um lugar para outro em cansativas atividades extraescolares. Só querem ter pais com quem estar e compartilhar. 

Nossos filhos têm direito a ser crianças, a brincar, a se aborrecer, a inventar, a imaginar... E para isso ela vai necessitar de todo esse tempo que a gente, seus pais, nos dedicamos em planejar, organizar e encher, sequestrando a sua infância e o seu potencial para decidir e resolver as coisas por eles mesmos.  

Sara Tarrés

Psicóloga Infantil