O medo das crianças de ficarem sozinhas

Causas do medo da solidão durante a infância

Vilma Medina

Vilma Medina

Desde pequenos, as emoções fazem parte da nossa vida nos proporcionando as ferramentas necessárias para resolver ou realizar as tarefas com as quais a gente vai encontrando. Elas nos impulsionam a agir para satisfazer nossas necessidades. 

No caso do medo, seja real ou imaginário, nos permite evitar um perigo e agir com precaução. 

Quando aparece o medo de ficar sozinho em crianças

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Algumas das reações que desencadeiam as emoções são inatas, enquanto que outras são adquiridas. Em geral, a crianças aprendem por observação do seu meio, mas no caso do medo se adquire mediante a experiência direta. Estamos diante de uma emoção necessária para a sobrevivência porque permite colocar-se a salvo de situações de risco. 

O ‘sentimento de terror’ varia nas diferentes idades e algumas crianças são mais medrosas que outras. O temor de ficar sozinho acontece em crianças de 2 a 4 anos, junto com outros temores como pode ser o medo de animais, do escuro (sendo equivalente ao medo da solidão), às máscaras ou a pessoas disfarçadas. 

- É um medo habitual em crianças Vai desaparecendo na medida em que vamos crescendo. 

- Emocionalmente, a solidão nos dá medo durante a infância porque nos faz sentir indefesos. 

Quando a criança sente medo de ficar sozinha

As crianças amam ter suas referências ao lado delas e sentir que podem chamar sua atenção com tudo o que fazem. Necessitam da sua aprovação, seu apoio, sua confiança e sua ajuda. Gostam de fazer as coisas ‘sozinhas’, mas não solitárias. Por isso, este medo pode se dar em crianças:

- Quando ficam na escola, já que ainda que estejam rodeadas de iguais, elas se sentem sem a companhia e proteção dos pais. 

- Quando existe um atraso ao pegá-las na escola ou alguma atividade.

- Quando estão sozinhas no seu quarto, ainda que estejamos com elas dentro de casa. 

Como ajudar as crianças com medo de ficar sozinhas 

Quando os filhos são muito pequenos, os adultos são os que realmente têm medo de deixá-los sozinhos com a crença de que as crianças ainda não têm recursos necessários para se desenvolver diante de situações que vão lhe acontecendo. 

A solidão é difícil, mas é uma oportunidade para aprender. Quando tem que resolver as coisas por elas mesmas, vão desenvolvendo estratégias para buscar soluções, enquanto que se os adultos estão por perto controlando e resolvendo seus problemas é possível que se acomodem. Para ajudar-lhes a desfrutar dessa solidão é importante que os pais comecem a ‘deixá-las sozinhas’ de uma maneira progressiva e em períodos curtos de tempo: 

1. Que brinquem sozinhos no seu quarto sem nosso apoio contínuo. 

2.  Permitir-lhes fazer tarefas sem companhia como comprar o pão, ir à escola, etc. Sempre lhes fazendo saber que o adulto está por perto controlando.

3. Contar-lhes com detalhes como vai ser a experiência nova que a criança vai enfrentar e prepará-la para que enfrente tudo satisfatoriamente. Por exemplo, contando-lhe um conto. 

4. Se a criança passa mal diante de situações de terror à solidão, perguntar do que ela tem medo e tentar entendê-la. 

5. É aconselhável tentar falar com a criança dos seus medos, mas sem que isso se torne uma obsessão e sem que isso se torne no tema principal da conversa. Ensinar a controlar as emoções é diferente do que reprimi-las. É importante que a criança aprenda a expressá-las de acordo com o momento, a situação e as pessoas presentes.

6. Não forçar um enfrentamento ao seu medo. Enfrentar o seu medo sozinho só pode criar-lhe mais ansiedade

7. Não minimizar o seu sentimento, mas pelo contrário. Deixar claro que não podemos evitar as emoções. Nós temos o direito a todos os nossos sentimentos, inclusive os de medo. 

Borja Quicios Abergel

Psicólogo educativo e coaching educativo

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