Como falar da crise econômica familiar com as crianças

É importante compartilhar com as crianças sobre a crise financeira

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Hoje em dia existem muitas famílias que estão sendo afetadas pela crise. Muitos pais têm perdido seu emprego e existem famílias, inclusive, que tanto o pai como a mãe estão desempregados. Tudo isso afeta aos pequenos da casa e as repercussões nas crianças dependerão muito das diferenças individuais e, sobretudo como os pais irão enfrentar tudo isso. 

Como falar da crise econômica familiar com as crianças? É importante que os pais meçam a informação que será passada para as crianças; que saibam que é uma situação difícil porque existe menos trabalho, menos dinheiro e isso sem deixar que isso mine sua segurança e sua confiança.

A crise econômica em casa e as crianças

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A principal fonte de segurança e de confiança de uma criança são seus pais, e se eles estão inseguros e temerosos, isso acabará afetando as crianças. Não se trata de enganá-las ou de ocultar-lhes a realidade, mas de não fazê-las participantes do que não corresponda à sua idade. 

As crianças são crianças e devemos proteger sua infância. Não necessitam saber da situação econômica dos seus pais, nem de fazê-las participantes da mesma até que sejam bem grandinhas e possam entendê-la. Mas, isso não significa que não possamos dizer que custe muito ganhar dinheiro, que se deve trabalhar para consegui-lo, que existe muita gente que não tem trabalho e que agora papai ou mamãe não têm trabalho, e que por isso não será possível comprar tantas coisas como antes.

As crianças são muito observadoras, e com certeza já repararam que no último ano não saíram de férias. Este é um bom momento para trabalhar com eles em outra direção: estar de férias não significa fazer uma viagem, da mesma forma que ter tempo livre não implica em gastar dinheiro. Que tal recuperarmos pequenas diversões como passar um dia em família num picnic no campo, dar um passeio pelo parque, passear pela cidade, ou ficar com os amiguinhos para brincar. Em nenhum momento, nem na época de crise nem em tempos de bonança se deve associar o lazer e o tempo livre com o gastar. 

Na etapa anterior, talvez a gente tenha pecado em encher as crianças de brinquedos e coisas desnecessárias que não chegaram a valorizar. Quando nos custa pouco ou nada para conseguirmos algo a gente não valoriza, e com certeza isso tenha passado com muitas crianças, que ‘tinham de tudo’ sem o mínimo esforço. Em termos gerais, as crianças de agora vão aprender a valorizar mais o que têm, pois lhes custará mais consegui-lo e vão desfrutar mais dos seus brinquedos e das suas coisas, pois quando têm muitas coisas nem as valorizam nem desfrutam delas.

A sociedade de consumo em que vivemos prioriza tanto nas crianças como nos adolescentes e adultos mensagens do tipo ‘você precisa desse brinquedo’. Não basta ter um videogame ou smartphone, temos que ter o último modelo. Talvez a crise sirva para que todos nós utilizemos o senso comum e não nos deixemos arrastar pelo consumismo atroz, e que nos ajude a valorizar o que temos. Uma das bases para ser feliz está justamente nisso, em valorizar o que se tem e não se frustrar pelo que não se tem. 

O sentimento de solidariedade 

O sentimento de solidariedade é algo que os pais devem transmitir aos filhos. A necessidade de compartilhar, tanto com os semelhantes como com os mais desfavorecidos faz com que a situação econômica e social nos ensine a fazê-lo agora mais do que nunca. 

É importante que as crianças aprendam a valorizar as coisas, independente da situação financeira em que nos encontremos. Que vejam a importância do esforço, que valorizem o que têm e que aprendam a economizar para o futuro. Isso implica em reforçar valores e não conseguir as coisas de forma imediata, algo muito necessário na época em que vivemos e fundamentalmente para poder tolerar as pequenas frustrações que certamente a criança encontrará ao longo da vida.

Por isso é bom que a gente ensine a criança a economizar. Desde pequenos podem ter um minhaeiro (cofrinho) em que possam ir guardando o dinheiro que recebem dos avós, tios (sempre em pequenas quantidades), explicando-lhes que o que se coloca no minhaeiro não se gasta, que é para tê-lo como economia, não apenas para comprar algo no futuro, mas se em algum momento faltar em casa. Quando já forem um pouquinho maiores podemos dividir o dinheiro que recebem, uma parte que irá para o minhaeiro e que não se pode tirar e outra parte que podem tirar a qualquer momento.  

Silvia Álava Sordo

Psicóloga e Diretora da Área Infantil do

Centro de Psicologia Álava Reyes Consultores