Alergias alimentares infantis já podem ser curadas

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Uma semana antes de voltar ao trabalho minha cunhada começou a retirar o peito da minha sobrinha e tentar com que ela se acostumasse com o bico da mamadeira. Era importante que sua filha encontrasse outro modo de se alimentar enquanto ela estava fora de casa. No início o objetivo se tornou uma ‘missão impossível’. A criança era muito esperta e não aceitava aquela nova forma de alimentação.

Substituir o peito pela mamadeira é uma aventura para todas as mamães e para os seus bebês quando a mãe se esforça para conciliar a vida familiar e o trabalho. Mas, passar do mamilo para o bico da mamadeira não foi o pior neste caso. A substituição do leite materno pelo leite de fórmula não fez bem à menina. Em poucos dias o seu pediatra diagnosticou que a pequena tinha alergia às proteínas do leite de vaca. 

A alergia aos alimentos das crianças tem solução

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A alergia ao leite e ao ovo implicou numa transformação nos hábitos alimentares não apenas da menina, mas da família toda, já que era somente tocar em uma colher impregnada com leite ou ovo aparecia a reação nessa zona da pele. 

Em busca de soluções, essa mamãe e sua filha tiveram a sorte de fazer parte de um programa (uma novidade), de indução oral (imunoterapia oral) específica à tolerância de alimentos. Mediante a ingestão de quantidades mínimas e de forma progressivamente crescente do alimento causador da alergia, a criança conseguiu superar sua alergia alimentar ao leite e ao ovo. O tratamento se realiza de maneira individualizada até alcançar uma ração normal para a idade, o que permite evitar reações adversas. Desde então minha sobrinha tolera ambos os alimentos e isso lhe permite levar uma vida normal sem restrições nem reações graves. 

Este tratamento está conseguindo resultados positivos em 90% das crianças tratadas e há alguns anos hospitais como o da USP tem obtido excelentes resultados. Na Espanha também um número crescente de centros hospitalares vem aplicando essa técnica. Atualmente, entre 2 e 10% da população infantil sofre de alguma alergia alimentar e os especialistas asseguram que isso vem aumentando. 

As mais habituais, por ordem de frequência, são ao ovo, ao peixe e ao leite de vaca. E, ainda que a história natural seja favorável, com tendência à cura, em algumas crianças com alergia a alimentos difíceis de evitar como o leite e o ovo, a alergia pode persistir até os 4 ou 5 anos ou inclusive ser persistente e durar toda a vida. Os especialistas alertam que, em muitos casos, as alergias podem derivar em reações mais graves, chegando a ser mortal, algo que pode ocorrer após a exposição a uma substância que a criança seja alérgica. 

Mais uma vez a ciência tem conseguido permitir uma criança levar uma vida normal e aos pais viverem tranquilos, sem sobressaltos por uma possível reação anafilática, que pode colocar a vida do seu filho em perigo. 

Marisol Nuevo

Redatora de Guiainfantil.com