Quanto exigir de uma criança?

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Educar os filhos nem sempre é uma missão tão fácil para os pais. Alguns se equivocam por serem muito tolerantes e outros pecam por serem excessivamente exigentes. Encontrar uma medida justa às vezes é um dilema. Afinal, as crianças não chegam com um manual de instruções. Somos nós, os pais, que devemos conduzi-los. 

Pais exigentes ou pais permissivos com os filhos?

Talvez as respostas que nos levam ao lugar certo começam por manter um ambiente de disciplina e organização no cotidiano do lar, pois delas dependem com que as crianças aprendam tudo o que possam segundo a idade, o nível de preparação e capacidade. Além das características psicológicas individuais que tenham. 

Uma rotina infantil severa, que não leve em conta as peculiaridades do menor pode ser prejudicial. O pai muito exigente é propenso à aplicação de castigos excessivos e tem muito trabalho para aceitar que o filho ou a filha tenha cometido alguma indisciplina. Às vezes a irritação o cega e acaba repreendendo duramente seu filho. E isso é ainda mais grave quando acontece num lugar público ou diante de outras pessoas. 

Os pais muito exigentes podem perder a paciência e castigar duramente e inclusive sufocar a criança, atitudes que se não melhorarem, acabarão lastimando. 

É importante que haja harmonia nos níveis de exigência dos adultos que se relacionam com a criança no dia a dia, ou seja, não devem conviver debaixo do mesmo teto critérios educativos demasiadamente diferentes, digamos, um pai muito exigente com uma mãe ou avós excessivamente tolerantes, porque isso multiplicará a incompreensão da criança sobre os motivos pelos quais acontecem os desacordos entre os pais e sofrerá muito mais os castigos impostos. 

Nesses casos a criança aprenderá que suas obrigações são relativas e que diante da mamãe ou avô pode fazer o que quiser, enquanto na frente do pai temerá e se comportará à altura das suas exigências. Nunca entenderá que as coisas que lhe pedem são boas para a sua formação, mas que “que diante do papai é melhor dissimular para evitar problemas maiores”. 

Outra verdade é que a educação infantil depende de muitos fatores, não somente das exigências paternas e como em outras esferas da vida, não é recomendável “queimar etapas”. Somos os pais que devemos nos encher de paciência e esperar que nossos filhos estejam aptos para incorporar certos hábitos e comportamentos

É muito prejudicial encher a vida da criança de responsabilidades enquanto seus amigos aproveitam o tempo brincando. O que na primeira infância é um laço de estreita dependência, deve se converter, com o tempo, numa relação baseada na confiança mútua. Os filhos devem se sentir livres, capazes de tomar suas próprias decisões e quando for preciso, acudi-los e ajudá-los quando necessitarem. Não cabe a nós ensiná-los a decidir tudo. Não decidir tudo por eles é um bom treinamento que podemos fazer quando deixamos nossos filhos escolherem a roupa que querem usar, que brinquedos comprar ou de que cores querem decorar seu quarto

Esperanza Díaz

Redatora