A criança tem o direito de se aborrecer

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Especialmente quando as crianças estão de férias, vêm à nossa mente muitos planos para ocupar o longo tempo de férias dos nossos filhos. A interrupção das suas múltiplas atividades que os mantiveram ocupados durante o curso escolar acaba dando um nó na cabeça. Mas, depois de alguns longos meses de esforços, de atividades programadas, e de correrias, todos nós necessitamos de um período para relaxar, se divertir e imaginar. Para isso existem as férias. 

Meu filho se aborrece, o que fazer?

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Eu me lembro que minhas férias eram momentos excelentes para fazer coisas novas, como ajudar minha mãe, para aprender a costurar botões, contemplar as nuvens ou ler um livro; para empreender novos desafios como andar de bicicleta ou se lançar a nadar; para aprender coisas que não são matemática ou línguas; para brincar e brigar com meus irmãos; para desfrutar em família, tomar sorvete, dormir até mais tarde e crescer. 

Vocês não se lembram? Quando éramos pequenos as férias ou os tempos livres pareciam eternos. Era maravilhoso! Inclusive dava até tempo para a gente se aborrecer e se fechar como ostras. Esse era um momento especial para a gente se encontrar com nós mesmos e nossa cabecinha começava a maquinar travessuras, inventar brincadeiras e jogos e a imaginar situações. Poder dispor desse tempo para não fazer nada é realmente útil para os nossos filhos, da mesma forma que foi pra gente. Assim, que a gente não devia ficar muito agoniada quando eles dizem: ‘mamãe, eu estou chateado!’. 

Hoje em dia, os psicólogos vêm a ratificar o que todos nós temos experimentado como crianças desde sempre: que quando não temos nada para fazer é quando mais facilmente a gente coloca em prática nossa criatividade para imaginar e para buscar um entretenimento digno das nossas inquietações. 

A gente gostava de reunir a criançada para brincarmos na rua e aproveitávamos qualquer objeto para construir um castelo, uma casinha, uma arte. A gente usava os novelos de lã da nossa mãe para fazer trabalhos manuais para dar de presente a ela e para o nosso pai. Quando a gente reunia uma grande quantidade de crianças em casa era uma farra só! 

Mesmo acontecendo alguns aborrecimentos de vez em quando, a mente dos nossos filhos conseguia com sua criatividade encher o pensamento de brincadeiras, desafios, jogos ou invenções. Assim que em qualquer época do ano (especialmente no verão) a gente não devia ficar agoniada em programar e ocupar todas as horas do dia do nosso filho com inúmeras atividades, mas deixá-los essa parcela íntima para o aborrecimento em que eles poderão cultivar e recolher os frutos de sua imaginação. 

Patro Gabaldón

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