As 3 principais causas de aborrecimento na infância

Por que algumas crianças se chateiam e como solucioná-lo

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

O ritmo frenético em que submetemos as crianças hoje em dia está deixando sem estratégias para enfrentar o aborrecimento, esse estado de apatia e desinteresse causado pela sensação de não saber o que fazer ou não ter nada com que se divertir.

Paradoxalmente, são as crianças que mais tem quem mais se aborrecem. A gente te explica quais são as causas. 

3 causas do aborrecimento infantil

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As crianças de hoje não se aborrecem mais do que as de antes, mas estão menos preparadas para enfrentar o aborrecimento. São mais vulneráveis ao mal estar gerado e toleram pior o não saber o que fazer quando dispõem de um pouco de tempo livre, já que lhes faltam recursos para colocar em andamento sua imaginação e criatividade. 

Entre as principais causas do aborrecimento infantil destacamos:

1. O excesso de estímulos provocado pelo consumismo desenfreado ao que estamos submetidos. É muito comum ver uma criança rodeada de brinquedos e ouvi-la dizer: ‘estou chateada, não sei o que fazer’. Quanto mais tem mais se agoniam e maior é a sensação de aborrecimento que experimentam. Ver tantas coisas ao seu redor produz desinteresse e falta de atenção diante de algo concreto com o que brincar, experimentar ou criar. 

O excesso de estimulação limita a invenção, a imaginação, a criatividade, a fantasia e a diversão. É justamente nesta situação que volta a funcionar o lema ‘menos é mais’. 

2. Um excessivo planejamento e controle das suas atividades com agendas repletas de atividades extraescolares. Os pais têm caído no erro que o tédio é ruim e diante dessa premissa se apressam a preencher cada segundo das vidas dos seus filhos. A gente se esmera em tornar a vida deles divertida e emocionante, cheia de atividades extraescolares (música, patinação, judô, dança, inglês, teatro) enchendo e apertando tanto a sua agenda que não os deixamos aprender a gerenciar o seu tempo nem a encontrar os seus próprios interesses. 

Erroneamente temos acreditado que o tédio é ruim, e que, portanto as crianças necessitam estar constantemente ativas, uma falsa idéia que está dificultando o pensamento criativo dos nossos filhos. 

Devemos entender de novo o que é o aborrecimento é a ante-sala da criatividade. As crianças precisam ter tempo para não fazer nada, tempo para imaginar, criar, pensar, assimilar suas experiências ou simplesmente observar o mundo que as rodeia. E isso não é possível se o que fazemos é enchê-los de brinquedos, planejar até o último segundo das suas vidas ou oferecer-lhes um celular ou um tablet diante do primeiro sinal de tédio, e é justamente aqui que entramos na terceira causa de aborrecimento que queremos destacar. 

3. O abuso das telas. Seja por inércia, por cansaço ou por terminar em conflito, os pais estão abusando do uso que os nossos filhos fazem do televisor, videogames, tablets, smartphones ou seja qual for o dispositivo que utilizemos para evitar o seu aborrecimento. 

O uso responsável de todas essas tecnologias pode contribuir com grandes benefícios, mas também o abuso delas pode gerar situações de ansiedade, estresse, desinteresse por outras coisas e falta de criatividade. A criança que se senta diante de uma tela e tem a diversão assegurada, acaba não tendo necessidade de colocar em funcionamento o seu pensamento criativo na grande maioria das ocasiões. 

A facilidade com que os pais ligam a televisão ou dão aos seus filhos smartphones ou tablets diante do mínimo sinal de aborrecimento impede que eles mesmos encontrem o modo de se distrair de outra forma. 

Como ajudar nossos filhos para que não se aborreçam 

O consumismo desenfreado, o excesso de estímulos, o abuso de telas e o controle de todas as atividades dos nossos filhos dão como resultado uma incapacidade para que as crianças encontrem seus próprios recursos para gerenciar o seu tempo livre e, portanto que se aborreçam cada dia mais. 

As crianças necessitam de tempo livre, sem excesso de estímulos e afastados das telas para imaginar, criar, construir, observar e saborear seus aprendizados através do tempo não gerenciado ou estruturado por nenhum adulto. É deixando que as crianças se aborreçam que conseguiremos que cada vez mais digam menos essa frase que nos angustia muito: ‘estou chateado, não sei o que fazer’. 

Sara Tarrés Corominas

Psicóloga infantil 

Orientadora infantil