Por que não separar gêmeos na escola

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Há alguns anos a tendência das escolas era de separar irmãos gêmeos ou trigêmeos em classes diferentes. Como mãe de gêmeas minha reação a princípio foi negativa, já que minhas filhas sempre tinham estudado juntas e seria muito traumático para elas o começo da etapa escolar e ainda a separação em duas salas diferentes. 

Separar gêmeos na escola. Sim ou não?

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A escola me convenceu alegando supostas razões em que estava demonstrado que era melhora para os irmãos, já que isso consolidaria sua identidade, se abririam mais ao grupo e não competiriam entre elas. Depois daquilo as meninas começaram em salas separadas, ainda que se vissem nos recreios e na primeira semana a escola deixava que se vissem quando muito tristes de vez em quando fora dos intervalos das aulas. 

Uma delas, a mais dependente da sua irmã, começou a ter problemas que já pensávamos estarem resolvidos como fazer xixi na cama, brigava com sua irmã em casa por tudo, se tornou mais competitiva e se queixava de que as novas amigas da sua irmã a monopolizavam constantemente e não deixavam brincar com ela nos recreios. 

O caso é que vimos como a confiança em si mesma decrescia rapidamente e reclamava mais a presença da sua irmã quando não estavam na escola. Nós pensamos que era um processo normal do começo das aulas e que logo passaria, no entanto, as meninas já têm 7 anos e uma delas continua tendo dificuldades de se relacionar do que a outra e as competições entre elas são mais fortes do que nunca, sobretudo quando seus professores não coincidem no ensino, queixando-se por quem tem menos deveres ou quem tem menos a estudar. 

Por que alguns colegios exigem separar gêmeos em salas de aula? 

Pensávamos que os problemas que tinham na escola eram fruto da sua personalidade fraca e dependente, mas não entendíamos a verdadeira razão até que recentemente chegou um estudo em minhas mãos onde se acreditava que as alegações que as escolas dão para separar aos gêmeos são totalmente infundadas e não estão baseadas em nenhum estudo real, e demonstra, por outro lado, que essas separações eram contraproducentes porque corriam o risco de que as crianças tivessem todos esses sintomas que eu notava em uma das minhas filhas. 

Assim que, refletindo sobre esses quatro anos nos demos conta que, efetivamente, no nosso caso a separação tem sido nefasta e isso tem provocado em minha filha uma insegurança e uma solidão que a tem conduzido a uma maior dependência ainda maior da sua irmã. 

No estudo se desaconselha aplicar a separação como norma da escola, sobretudo nos primeiros anos de vida escolar, e se propõe que os pais possam escolher o que mais lhe convenham aos seus filhos, coisa que raramente acontece. Muitos pais de gêmeos têm seus filhos separados (e já não quero dizer os trigêmeos, onde dois estão em uma sala e o outro separado), aplicando essa norma absurda que não individualiza cada caso e sem escutar as opiniões dos pais. 

A psicóloga holandesa Coks Feenstra, autora do livro ‘O grande livro dos gêmeos’, conta que em muitos casos essa separação é errônea, já que os estudos demonstram que as crianças passam mal e que muitas delas sofrem transtornos de ansiedade, retraimento, retrocesso e inclusive maus resultados acadêmicos. 

Se você estiver nessa situação deveria escolher o que acredita ser melhor para os seus filhos, afinal você os conhece melhor que ninguém e não deixar que as normas de separação sejam impostas.