Por que as meninas são corajosas, mas terminam sendo medrosas

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Por que será que a sociedade tende a pensar que as meninas são mais medrosas? Mais sensíveis? Mais fracas? Serão os próprios pais quem lhes fazem acreditar nisso? 

Um estudo demonstra que efetivamente os pais são os que ensinam as meninas a temer um mundo muito perigoso para elas

Educamos as meninas para que sejam medrosas

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Quem tem um filho homem e uma menina poderá comparar e comprovar se é certo: as meninas são mais corajosas e mais ‘sofredoras’ que os meninos, mas com o tempo se tornam mais ‘medrosas’. E tudo, porque os pais tendem a proteger mais as meninas. Por quê? 

Um estudo publicado no Journal Pediatric Psychology alerta sobre a diferente forma que temos de educar a meninos e meninas: as meninas nós avisamos desde muito pequenas sobre os perigos que as rodeiam. Nós as protegemos demais. E desde o primeiro dia lhes enviamos uma mensagem subliminar de ‘você terá mais riscos do que o seu irmão’. 

Segundo esse estudo, os pais chegam a pedir às suas filhas que tenham cuidado quatro vezes mais do que aos filhos: ‘Não suba aí porque vai se machucar’... ‘Não se junte com esses meninos porque são muito brutos’... ‘Não brigue com os meninos porque são mais fortes’. 

Isso prejudica as meninas, porque ao final evitam que se enfrentem uma série de desafios que lhes ajudarão a desenvolver habilidades básicas. Não podem enfrentar aos seus medos e a vencê-los. 

Talvez pareça uma forma arcaica de educar, mas continua existindo. Quando a menina cresce e começa a sair com seus amigos, os pais advertem dos perigos que estão presentes no mundo... 

As meninas na realidade são mais corajosas 

Se você observar as meninas nos seus primeiros anos de vida, você comprovará que não são nada medrosas. E mais: são mais valentes. Suportam muito melhor a dor, as frustrações e os temores. Por que não educá-las par que continuem sendo valentes? Como? 

- Não limite suas habilidades. Se quiser subir nas árvores, deixe que o faça. Se quiser pular, não a impeça. Pode fazê-lo da mesma forma que um menino, ainda que seja menor e pareça mais frágil. 

- Não a superproteja. Não a proteja mais pelo fato de ser uma menina. Desde o princípio ela se dará conta que seja ‘mais fraca’ que os meninos. 

- Não lhe advirta do perigo constantemente. Os pais apenas não se dão conta, mas constantemente lançam mensagens de ‘cuidado, que é perigoso’ às suas filhas. 

- Deixe que enfrente os riscos. Um risco implica em desafios, limites a serem superados. Por que deixamos os meninos e não as meninas? Deixe que ambos enfrentem os mesmos desafios. 

Estefanía Esteban

Redatora de GuiaInfantil.com