Como ensinar as crianças a aceitarem a si mesmas

Ajudar com que as crianças se aceitem como são

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

A criança desde muito pequena vai desenvolvendo seu conceito de si mesma. Aos dois anos de idade as crianças começam a captar as coisas que são importantes para os seus pais, o que esperam delas, e o seu comportamento vem orientado a obter seu reconhecimento e afeto. Aos cinco ou seis anos as crianças se preocupam com o que os outros pensam dela e evitam as críticas. 

Elas se envergonham das suas falhas e se sentem muito mal quando outros riem delas ou lhes ridicularizam. As crianças vão interiorizando muitas das atitudes e opiniões de pessoas importantes para elas e começam a formar a sua própria opinião de si mesmas. 

Como uma criança vê a si mesma?

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A imagem que a criança acredita que os demais têm dela representa um papel fundamental para gerar um conceito de si mesma positivo. A criança busca reconhecimento e a aprovação dos seus pais. Elas adoram quando seus pais sentem orgulho delas. A mensagem que lhes transmitimos através de como as tratamos e o que lhes dizemos é muito importante e configura os pensamentos e sentimentos que a criança tem sobre suas habilidades e sobre si mesma, tendo como resultado o seu nível de autoestima

Se a criança percebe que não consegue ser como gostaria ou que não cumpre as expectativas dos seus pais ou professores o resultado será uma autoestima negativa. As crianças que não conseguem satisfazer os desejos que seus pais esperam delas, por pouco realistas ou idealizadas, não questionam o senso comum dos seus progenitores, mas se culpam a elas mesmas, se sentem fracassadas e se auto-rejeitam. 

O que fazer para que nossos filhos tenham uma autoestima positiva? 

Em primeiro lugar tratar-lhes com respeito, fazer-lhes sentir que são importantes, falar-lhes olhando nos olhos e se agachando até nos colocarmos à sua altura, levar em conta suas opiniões, escutá-las com atenção para conhecer como pensam e como sentem. Dessa maneira podemos compreender como interpretam sua realidade e dar valor aos seus sentimentos. 

Abraçar-lhes muito e dizer-lhes quanto as amamos. As crianças têm que saber e sentir que seus pais as amam como são e que não importa que às vezes se comportem mal, lhes corrijam com carinho porque as amam e desejam o melhor para elas. Separar a conduta da pessoa; é nosso filho e o amamos como é, mas existem certos comportamentos que não aprovamos e temos a responsabilidade de educar. Em resumo, aceitação incondicional. A frase os nossos filhos mais tem que ouvir é: ‘Filho, eu te amo e confio em você’. 

O que podemos fazer para que as crianças se aceitem como são? 

- Entre os três e os quatro anos de idade as crianças começam a distinguir as diferentes atribuições e a entender que certas tarefas elas se dão melhor do que outras e também começam a se comparar com as outras. A comparação pode ter consequências penosas se o pequeno projeta nelas a diferença que existe entre o que gostaria de fazer e o que acredita que pode fazer.  

- Desde pequenas, as crianças têm que aprender a tolerar o fracasso, a aceitar que existem coisas que elas se dão bem e outras não, que muitas vezes as coisas não saem como a gente gostaria, mas não faz mal.  

- A gente pode compartilhar com elas os nossos fracassos e os nossos êxitos, das atividades que éramos bons e aquelas que nem tanto, mas que no final das contas não eram tão importantes para a gente. Dessa maneira lhes ensinaremos a se apoiar nos seus pontos fortes e a aceitar seus pontos fracos, dando-lhes a importância que realmente tem. 

- Um menino pode se sentir mal porque não faz gols jogando futebol com seus companheiros de escola, mas podemos valorizar o seu esforço e fazer-lhe ver que talvez seja um bom goleiro e que pode ajudar a equipe a ganhar. Uma menina pode se sentir pouco valorizada pelas suas companheiras se não for muito popular, mas podemos mostrar-lhe outras facetas positivas de si mesma, afinal ela pode ser boa em determinados esportes ou matérias, ser alegre ou divertida.  

María José Ruíz Pastor

Psicóloga