Quando a timidez é um problema para as crianças

Como os pais devem agir diante da timidez do seu filho

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

É absolutamente inegável que cada criança é única e diferente. Não existem duas iguais. Como pais a gente sabe que cada menino ou menina tem o seu próprio temperamento e personalidade, o seu modo de interagir com o mundo, suas preferências e seus gostos desde o momento em que nascem. 

Quando as crianças crescem, a gente pode observar como algumas são mais espontâneas e abertas e outras que são mais tímidas e retraídas. Algumas crianças travam facilmente uma conversa com estranhos, enquanto que outras se escondem por trás da mamãe até que consigam ‘quebrar o gelo’. Nesse último caso, como os pais devem agir? É necessário intervir e modificar o seu modo de ser ou é preferível esperar e respeitar o seu modo de ser no mundo? Intervir, esperar, respeitar? O que devemos fazer? 

A timidez das crianças não é um problema

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Em primeiro lugar devemos entender que a timidez nos primeiros anos de vida não deve ser considerada um problema. Somente mais acima dos seis ou sete anos de vida é que a criança manifesta abertamente problemas de relacionamento com seus companheiros e deveríamos falar com um profissional de psicologia infantil.

As crianças, à medida que crescem e se desenvolvem vão adquirindo diferentes habilidades e destrezas, entre elas as sócio-emocionais. Habilidades sociais que lhes permitirão interagir com os demais de um modo saudável e gratificante. Estas, pelo contrário do que acreditamos, são inatas, portanto, não nascemos com elas e podemos aprender. Os melhores professores na infância são os adultos de referência (os pais) e deles e com eles as crianças aprendem a se relacionar com os demais

São muitos os pais que consultam sobre a timidez dos seus filhos de 2 ou 3 anos, de 4 ou de 5. Esses pais se preocupam que seus filhos não sabem se relacionar adequadamente com seus companheiros do parque ou da escola. Têm medo de que não saibam defender os seus interesses diante dos demais, que fiquem à margem o inclusive seja motivo de chacota

Esta preocupação é de todo normal e compreensível, já que sempre que se fala de crianças tímidas e retraídas o fazemos desde o ponto de vista negativo, desde a necessidade de incentivar nelas a confiança que lhes falta para aumentar a sua autoestima. É certo que para essas crianças a gente deve proporcionar-lhes as habilidades sociais e recursos pessoais para que possam, num futuro, relacionar-se com os demais sem dificuldade, mas ao mesmo tempo os pais devem ser cautelosos e respeitar os tempos de cada menino ou menina.

Antes de buscar uma ajuda profissional e intervirem, os pais devem compreender que existem crianças que necessitam de mais tempo que outras para se adaptarem e se relacionarem, que levam mais tempo para se sentirem cômodas e se abrirem com os demais. 

Mas, também existem outras crianças que simplesmente escolhem não participar em alguma atividade social porque não as interessa. Seja qual for o caso, nós devemos respeitar o seu modo de proceder sem pressionar para que cumprimentem, beijem ou interajam com a avó, a professora ou a pessoa da turma que quer brincar com ela. 

O que fazer se o nosso filho é tímido

A resposta é: ser respeitoso com sua forma de ser e isso significa não forçar, insistir, não obrigar. Significa aceitar suas reações e não dar importância ao seu comportamento, à sua negativa em cumprimentar ou interagir com os demais. Significa dar tempo para que ela decida se quer ou não participar, que veja e observe a situação. 

Se não forçarmos, se não obrigarmos, se não insistirmos, o menino ou a menina que se mostra inicialmente tímido e retraído terá a oportunidade de iniciar a relação social quando se sentir preparado. Quanto mais insistirmos será pior, por isso temos que evitar: 

- Reprovar, criticar ou castigar o seu modo de ser. 

- Brigar por não querer dar beijos ou cumprimentar. 

- Responder por ele ou ela quando lhe fizerem alguma pergunta. 

- Compará-la com outras crianças ou irmãos, porque cada criança é especial, única e incomparável. 

Aceite ao seu filho como ele é, proporcionando-lhe oportunidades diferentes de interação social e respeite o seu tempo. As crianças necessitam do seu tempo para saber como agir em sociedade. 

Sara Tarrés Corominas

Psicóloga infantil 

Orientadora infantil