Bulimia nervosa. Como afeta as crianças

Sintomas e tratamento da bulimia na infância

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Um dos transtornos da conduta alimentar mais conhecido é a Anorexia Nervosa. Mas, existe outro transtorno, do comportamento alimentar menos conhecido, mas mais frequente em adolescentes, a Bulimia Nervosa. 

Muitos adolescentes e adultos jovens que vemos pelas ruas ou conhecemos podem ter bulimia. As pessoas com bulimia não chamam tanto a atenção como os anoréxicos, mas também sofrem muito e podem ter transtornos tanto físicos como psicológicos. São mais frequentes em mulheres, mas os homens também podem ser afetados.

Sintomas de bulimia em crianças

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O doente com bulimia tem obsessão pela comida e é capaz de comer feito um leão (compulsivamente), em público ou às escondidas. É um comportamento do tipo obsessivo-compulsivo, e no seu caráter podem ter traços também desse tipo, como obsessões e/ou compulsões, ou seja, pensamentos recorrentes ou comportamentos repetitivos. 

Depois da atração a criança se sente culpada. Sente-se mal por ter tido uma conduta assim e podem forçar o vômito com canetas ou escova de dente. 

Os meninos e meninas com bulimia passam despercebidos porque mantêm um peso normal. Não aparentam muita magreza nem obesidade, mas mantém o peso porque eliminam as calorias que tinham ingerido com a comida, vomitando ou fazendo muito exercício, ou utilizando laxantes, diuréticos ou outros métodos dolorosos. 

O vômito repetido pode provocar alterações dos íons no organismo (alcalose hipoclorêmica), assim como alterações no esmalte dentário e tendência a ter refluxo gastroesofágico, esofagite e gastrite

Tratamento da bulimia em crianças

O tratamento da bulimia requer um acompanhamento psicológico estreito, com apoio emocional e comportamental em muitas ocasiões durante toda a vida. 

A maior parte dos pacientes com bulimia nervosa não requer internação hospitalar. Como a bulimia nervosa é um caso de ‘caos alimentar’, que alterna períodos de consumo descontrolado de alimentos com outros de restrição, é importante a participação do nutricionista, que elabore um plano de consumo controlado de alimentos, assim como um terapeuta que colabore com técnicas de comportamento, refeições planejadas, registros dos sintomas e da gulodice e os vômitos. 

A Bulimia Nervosa pode ser curada em 50% dos casos, melhorarem em 30% e persistir em 20%. São fatores de um bom prognóstico o início em idades precoces e dar pouco tempo para a evolução, enquanto que a obesidade na infância, a autoestima baixa e as alterações da personalidade são fatores de um mau prognóstico. 

Malena Hawkins

Pediatra