O novo bebê tecnológico

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Roupinhas que marcam a temperatura do bebê, fraldas que alertam da necessidade de serem trocadas, mamadeiras que informam quanto leite o recém-nascido tem tomado e em quanto tempo... A nova tecnologia se rende ao mundo dos bebês e os pais caem, sem pestanejar, nas suas redes. 

Os especialistas alertam da obsessão de muitos pais pelos dispositivos que dizem ‘tudo’ sobre o que faz ou deixa de fazer o seu bebê. Talvez estejamos esquecendo que mais além das máquinas que sabem de tudo, existe algo muito mais veraz, uma linguagem sem dados que todos os pais conseguem decifrar com tranquilidade: o vínculo

Os novos dispositivos tecnológicos para o bebê

o-novo-bebê-tecnológico A

Existem fraldas capazes de detectar uma infecção de urina. Também podem te dizer se o seu filho necessita se hidratar mais. Meias inteligentes que te dizem a quantidade de oxigênio no sangue do pequeno e o seu ritmo cardíaco. Você pode encontrar GPS para bebês, para controlar seus movimentos, se estão nas mãos de uma babá, além de dispositivos que monitoram o bebê: te dizem quanto dorme, como descansa, que temperatura ele tem, quanta energia gasta... 

Pulseiras que contam os passos que o seu bebê dá, bichinhos de pelúcia que ‘tomam conta’ do sono da criança e aparelhos que mandam uma mensagem ao celular dos pais avisando que o seu bebê está quase despertando, tornozeleiras que informam a saúde da criança a cada instante e inclusive um software capaz de contabilizar a quantidade de vezes que o pai e a mãe repreendem a criança e os decibéis que utilizam em cada ‘bronca’...

Cada vez mais existem pais obcecados com todos estes artigos, apesar de que, a princípio, foram criados para monitorar crianças com problemas de saúde. Dispositivos que se esgotam em questão de minutos. Informação pessoal que logo será compartilhada na internet. Calcula-se que cerca de 80% dos bebês com menos de 6 meses tem presença na Internet. Não estamos nos tornando loucos?  

Tantos aparelhos, na realidade, não fazem falta. Medidores, câmeras, nem dispositivos térmicos. Para saber que o bebê tem fome, basta o seu choro. Para saber que ele necessita de um abraço, basta ver no seu olhar. Para saber que a criança quer que troquem suas fraldas, o olfato. Para saber se tem febre, o tato. 

Existe algo que as máquinas jamais poderão medir, algo que as mães e os pais, sem dispositivos nem aparelhos de última geração podem ver com clareza: os sentimentos. 

Estefanía Esteban

Redatora de GuiaInfantil.com