Como explicar uma tragédia e a morte às crianças

Como falar da morte respeitando as características de cada fase da criança

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Ninguém, absolutamente ninguém está livre de se sentir afetado e entristecido com as notícias sobre tragédias, mortes, acidentes que são transmitidos na televisão, redes sociais e outros meios na Internet.

Para um adulto já é difícil encarar essas situações, imagine o que acontece com as crianças, com esses seres que ainda não conhecem muitas das razões, que apenas têm tido poucas experiências em suas curtas vidas. O que acontece com essas criaturas que dia a dia os pais tentam defendê-las da dor e superprotegê-las em alguns casos.

Como as crianças entendem a morte

como-explicar-uma-tragédia-e-a-morte A

Explicar às crianças situações como um grave acidente ou a morte, seguramente é um dos momentos mais difíceis que temos os pais, mãe e familiares têm que enfrentar, especialmente se a pessoa em questão é muito próxima à criança. A forma que as crianças têm em entender essas situações muda segundo a idade que tenham. Por isso, é muito importante que os pais saibam como explicar uma tragédia ou a morte aos seus filhos.

A morte segundo a idade da criança

Até os 5 anos de idade as crianças não podem entender realmente o que é a morte. Não podem ter essa consciência. Se tivermos que dizer-lhe que algum familiar tenha morrido, o melhor é que estejamos preparados para responder às suas perguntas. Seguramente, uma criança de 5 ou 6 anos perguntará aos pais onde estará essa pessoa e o melhor é dar-lhe respostas muito curtas como ‘ele se foi para um lugar melhor’, por exemplo. O importante é não mentir-lhe dizendo-lhe que irá voltar ou algo parecido.

Por volta dos 7 ou 8 anos de idade, as crianças já tem uma consciência maior sobre a morte. A morte para eles se converte em uma situação mais definitiva e angustiante, e como é difícil explicar algo que nem a gente conhece bem. Nessa idade, as crianças sabem que os mortos já não voltarão e que, portanto, a morte é definitiva. Os pais não poderão evitar o seu luto e sim tratar de tranquilizar-lhes, sem dramas. A compreensão, a paciência, assim como o apoio e o carinho são fundamentais nesses momentos.

Não é tão simples explicar a morte às crianças, já que cada criança é um mundo no que se refere também à sensibilidade. Cada um entende e vive o luto à sua maneira. Alguns podem ver a morte e a tragédia como uma injustiça, e outros podem vê-las como algo insuperável. O papel dos pais nessas situações é crucial para que consolar as crianças. Nós oferecemos algumas idéias:

1 – Animar a criança a falar sobre o que aconteceu, sobre o que sente, o que pensa sobre isso. Animá-la para que expresse seus sentimentos.

2 – Animar a criança para que se lembre dos bons momentos que tenha tido com a pessoa falecida e a família.

3 – Não deixar a criança sem respostas às suas perguntas. A morte é um mistério e ninguém sabe exatamente o que ocorre com a pessoa que morre, aonde irá, etc.

4 – Levar a criança a um especialista no caso que o seu luto não se acabe ou quando ela não consiga separar a tristeza pela perda de um ente querido.

5 – Não criar falsas expectativas na criança. A verdade deve ir sempre adiante para que a criança possa assimilar o quanto antes a situação.

6 –Ter paciência com a criança. As crianças necessitam tempo, espaço, carinho e apoio para superar sua dor. Jamais devem viver o seu luto em solidão.

Particularmente acredito que, apesar das mortes, o melhor é explicar a vida às crianças, sempre. É a única coisa que todos nós sabemos do que se trata e pela qual devemos dar graças todos os dias.