Como explicar catástrofes para crianças de 6 a 9 anos

Como comunicar uma tragédia ou falar de catástrofes com as crianças

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

As catástrofes, os acidentes e situações violentas como o terrorismo provocam emoções de tristeza, dor e impotência. Se já é difícil para os adultos expressar os sentimentos que essas situações provocam, mais ainda é falar disso com uma criança. 

O que levaremos em conta para falar com crianças de 6 a 9 anos? As crianças dessa idade têm uma maior maturidade cognitiva, mas ainda não é a de um adulto. Por isso, são especialmente vulneráveis a ter informações mal entendidas devido a que misturam suas fantasias como o que contam os adultos ou outros. Unindo esses retalhos se constrói uma imagem que não corresponde com o que realmente tenha acontecido. 

Como reagem as crianças de 6 a 9 anos diante de uma catástrofe

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Nessa fase são muito receptivos e captam as incongruências. Por exemplo, dizer-lhes que não está acontecendo nada, mas expressar estresse corporal. Desajustes entre a linguagem ‘verbal’ e a ‘não verbal’. As crianças nessa idade entendem que as mortes acontecem e que, além disso, são irreversíveis. O que eles ainda não estão cientes é que eles também vão morrer um dia, mas eles acabam se preocupando muito com o que possa acontecer com aqueles que os rodeiam. Como as crianças reagem a estas situações extremas?

- Perdem a autonomia que tinham ganhado durante o seu desenvolvimento, como não comer com talheres, voltar a molhar a cama, etc. 

- Podem estar muito agitados e irritadiços. 

- É possível apreciar mudanças nos padrões de comunicação. Não querem falar de nada, ou, pelo contrário, falam a toda hora. 

- Começam a mostrar um medo generalizado, como ficar sozinhos, separar-se dos seus pais ou ir a algum lugar.

- Continuamente pensa ou age sobre o que tenha ocorrido. São pensamentos ou ações que ajudam a criança a processar o que aconteceu. 

- Podem ter pesadelos, dificuldade para dormir ou insônias. 

Como ajudar crianças de 6 a 9 anos a entender um fato trágico

Que passos os pais devem seguir para ajudar os seus filhos? Os pais e as mães devem agir dessa forma: 

- Os pais devem tentar evitar que os medos das crianças transbordem.

- Criar um ambiente tranquilo e relaxado. 

- Dar nomes a todas as emoções da criança empregando uma frase que possa tranquilizá-la, como, por exemplo: ‘vejo que você está assustado, mas fique tranquilo porque papai e mamãe estão aqui contigo’. 

Para acalmá-lo, os pais e mães poderão recorrer a situações prévias que ajudem as crianças a ativar seus próprios mecanismos de defesa. Para informar, os pais devem utilizar palavras simples para explicar o ocorrido. Para normalizar a situação e consolar a criança, os pais não devem dizer à ela que vai se sentir bem, mas que estarão ao lado dela quando necessitarem, sempre acompanhando-a. 

Borja Quicios

Psicólogo educativo