Como explicar uma catástrofe para uma criança de 0 a 3 anos

Como um fato traumático afeta a um bebê

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Na vida acontecem situações traumáticas que podem chegar através de um terremoto, inundação, ato violento, morte de um ser querido, etc. 

Dependendo da idade que a criança tenha esse desastre a afetará de maneira diferente. Por exemplo, uma criança de sete anos poderá se manifestar não querendo ir à escola, enquanto que um adolescente pode mostrar um baixo rendimento escolar. Neste momento a gente vai se concentrar em como as crianças de 0 a 3 anos vivenciam um momento desse e qual o papel dos adultos nisso tudo. 

Como um bebê de 0 a 3 anos reage diante de uma catástrofe

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Para começar, há que recordar que cada criança é diferente e tem sua forma de reagir. As reações de medo, tristeza e ansiedade variam. Não são iguais às dos adultos e tão pouco o são de uma criança para outra. Além disso, é importante saber que nessas idades a gente pode encontrar com pessoinhas que não conseguem se expressar linguisticamente de uma maneira perfeita. Por isso a gente deve estar atenta a outros tipos de sinais: 

- Problemas para dormir.  

- Volta a estágios de desenvolvimento anteriores. Algumas das condutas de aprendizagem podem regredir como, por exemplo, a volta às fraldas uma vez que não consegue controlar esfíncteres.

- Aparecerão mais birras e de maneira recorrente. Chorarão mais. A gente deve levar em conta que os limites devem continuar, ainda que se flexibilizem nos primeiros dias. 

- A maneira de mostrar a tristeza em crianças é complexa. Muitas vezes mais do que tristes, a criança se mostra irritadiça. Quando a criança já pode falar pode aparecer frases como: ‘eu te odeio, não te amo, tudo é culpa sua’. Temos que pensar que é a maneira que as crianças têm em verbalizar essa tristeza. 

- Demanda mais atenção. Terão mais problemas em se afastar do adulto de referência. 

Como ajudar as crianças de 0 a 3 anos aos que vivenciaram uma catástrofe

Existem muitas coisas que os adultos podem fazer pela criança que acaba de viver um fato traumático. Por exemplo: 

- Contenção: Não se refere a proibir que a criança faça algo, mas que o faça de maneira controlada, acompanhado-a para evitar situações nocivas como: jogar-se contra o chão ou parede. 

- Os pais devem dar à criança segurança e carinho para que se sinta confortada. 

- Acalmar. Dar um espaço para que a criança chore ou grite. 

- Há que levar em conta os pequenos detalhes, como ajudar a criança a se relaxar. Isso a gente o fará através de rotinas como: cantar cantigas, contar um conto ou dar-lhe um banho com água morna... 

- Informar: Devemos dizer as coisas com tom pausado e tranquilo. Levaremos em conta que esse passo é muito mais importante conforme as crianças cresçam. Ou seja, você deve levar em conta que numa criança de 2 – 3 anos a linguagem expressiva não está tão desenvolvida, mas a compreensiva sim. Portanto, nessa idade é importante explicar-lhes a situação e responder-lhes a perguntas como: O que aconteceu? O que vai acontecer a partir de agora? Também é conveniente dar-lhes opção para que perguntem à vontade e responder-lhes de forma coerente e sincera. 

- Normalizar: Fazer com que a criança veja que ela não é a única que tem esses sentimentos ou essas reações. Por exemplo, se ela nos vê chorar, elas se permite chorar. Muitas vezes, nosso sentimento é protegê-la, uma vez que quando a virmos chorar dá uma idéia que isso não é bom. Não permitirmos que a criança o faça, a gente acaba fazendo com que ela guarde seus sentimentos e isso acabará sendo prejudicial a ela. 

- Consolar e procurar fazer atividades positivas com elas. Dar-lhes o controle de pequenas tarefas para que se sintam úteis: Apresentar rotinas diárias. A criança tem que ver que realmente algo grave aconteceu, que houve uma ‘ruptura’, mas a vida e o resto das coisas seguem. 

- Permitir-lhes que brinquem ou desenhem sobre o que aconteceu: Não pedir que o façam explicitamente, mas consenti-lo se acontece espontaneamente na criança, já que necessitam integrá-lo na sua vida diária. 

Se ao final de quatro semanas continuam acontecendo essas situações é bom consultar um especialista. 

Borja Quicios

Psicólogo educativo