Pode-se colocar uma criança de dieta?

O que significa colocar uma criança de dieta e quando se deve fazer

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

 A obesidade infantil é um problema de saúde pública, cujas cifras são alarmantes nos países desenvolvidos. No entanto, pode-se colocar uma criança de dieta? 

A primeira coisa que convém esclarecer é o que o termo ‘dieta’ não significa reduzir a ingestão de alimentos para emagrecer ou manter um determinado peso corporal, mas faz referência ao conjunto de alimentos que se consomem de forma habitual e suas quantidades. Não é a mesma coisa obrigar a uma mãe a reduzir a comida que oferece ao seu filho para que este emagreça do que tentar educar a ambos em hábitos nutricionais saudáveis e apropriados para cada idade. 

Primeiro se deve buscar a origem do sobrepeso na criança

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Diante de uma criança diagnosticada com sobrepeso, a primeira ação deve consistir em fazer um estudo da sua dieta, conhecer os alimentos que consome, de que maneira estão cozidos e qual é o tamanho das porções que são oferecidas a ela. Este estudo deve ser exaustivo, e pelo menos com 3 dias, incluindo um do fim de semana. Além disso, deve também detalhar a atividade física que a criança costuma praticar. 

Com estes dados é possível determinar se a causa do seu sobrepeso pode ser devido a uma falta de atividade física, a um excesso na ingestão calórica ou uma combinação de ambas. O mais habitual, lamentavelmente, é que a uma baixa atividade física ou nula se some a uma dieta desequilibrada com excessos de gorduras saturadas e trans, procedentes de comidas congeladas e bolos industriais, e com porções muito acima do recomendado para a idade da criança.

Como iniciar a dieta nas crianças

As alternativas, uma vez feito o estudo são várias:

- Aumento da atividade física se esta for baixa. A sociedade atual tem uma tendência ao sedentarismo nada saudável, e é por isso que se devem promover desde a infância as brincadeiras ao ar livre que permitam a criança estar ativa. 

- Reeducação alimentar. Tratar de eliminar da dieta aqueles alimentos com densidade calórica elevada e uma densidade nutricional baixa favorecendo o consumo de outros mais saudáveis. Trocar sucos industrializados por pedaços de frutas, biscoitos por torradas e bolos industriais por sanduíches tradicionais pode marcar uma grande diferença na ingestão calórica. Também devem ser evitados os processos culinários que contribuam com calorias extras ao alimento, como a fritura ou empanados ou à milanesa. 

- Diminuição das rações (quantidades). Todas as mães ficam com pena em deixar seus filhos com fome, por isso neste caso é importante que a própria criança aprenda a decidir quando tenha comido o suficiente, sem chegar a se encher. Inicialmente pode servir de ajuda, ao diminuir as rações, acompanhar os pratos com verduras que contribuam para a sensação de satisfação (cheias) que a criança está acostumada. As verduras cruas, que demoram mais em ser digeridas prolongam esta sensação durante mais tempo. 

Uma criança com sobrepeso significa que se não for remediada se converterá num adulto obeso no futuro. Como pais, temos em nossas mãos a possibilidade de moldar nossos filhos mediante a educação alimentar que lhes oferecemos. Com uma educação nutricional e uns hábitos dietéticos adequados não apenas se evitam o sobrepeso e a obesidade na infância, mas também possibilita que se evitem também na idade adulta. 

Carlota Reviriego

Nutricionista